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Alceu Valença: “Sou mais ouvido que o Ringo Starr”

O cantor pernambucano explica como se tornou um campeão do Carnaval de rua e diz que o streaming promoveu sua reinvenção

Por Raquel Carneiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 fev 2026, 08h00 •
  • O senhor arrebanhou 1,1 milhão de pessoas com o bloco Bicho Maluco Beleza no fim de semana pré-Carnaval, em São Paulo e Olinda, e sua agenda está lotada na semana da folia. O que o atrai nessa festa? Criamos o Bicho Maluco Beleza em 2015, em São Paulo, e foi crescendo, crescendo, virou essa loucura. Um efeito foi popularizar no Sudeste o frevo, que é uma coisa muito pernambucana e pouco divulgada no país. Além, claro, do maracatu, do caboclinho. Meu repertório mistura tudo isso, é o Carnavalença.

    O que muda ao cantar em um bloco de rua, em comparação com os palcos tradicionais? É totalmente diferente. No bloco, a multidão acompanha a gente. É muita alegria, descontração e agitação. No show, é outra coisa. Há mais concentração e é mais focado no repertório. Sou muito festivo. Tenho um Alceu para cada época.

    Como assim? Nasci entre o agreste e o sertão de Pernambuco. Ouvia baião, forró, xote, xaxado, marcha de São João, o aboio. No Carnaval, sou do frevo. No São João, do baião. Fora disso, viro o cara da sonoridade clássica, que canta com orquestra, especialmente a de Ouro Preto. Este ano vou fazer a turnê 80 Girassóis em várias capitais do país, comemorando meu aniversário. Depois, sigo para a Europa, com shows em Londres, Paris e Oslo, entre outros.

    Como chegar aos 80 anos com tanta vitalidade? Andando. Eu ando pelas cidades, pelas ruas. Subo ladeiras todo dia. Não dirijo — nem quero. Dou 10 000 passos por dia. Já cheguei a 19 000. Sempre gostei de esportes, mas hoje eu só ando e faço pilates, que é bom para o corpo e a cabeça.

    Como anda a receptividade da sua música lá fora? Muito boa. Antigamente, quando eu fazia turnê na Europa, só iam brasileiros. Agora, não. Os gringos gostam que é o diabo do meu show. Sabe por quê? Por causa da internet. As plataformas de streaming democratizaram os ouvidos.

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    Como essa mudança o beneficiou? No passado, as gravadoras não tinham interesse em divulgar a música brasileira. O foco era a música anglófona. Nunca dei bola para Rolling Stones ou Beatles. Acho bacana, mas nunca faria a música deles. Hoje, no YouTube, tenho 355 milhões de reproduções das minhas músicas. No Spotify, La Belle de Jour tem mais de 180 milhões. Sou mais ouvido que o Ringo Starr (o ex-­beatle soma 60 milhões no You­Tube). Isso antes era impossível.

    Feito no Recife, O Agente Secreto está indicado ao Oscar. O que é que o pernambucano tem que está tão na moda na música e no cinema? A gente tem de tudo um pouco, da sociologia de Gilberto Freyre à literatura de João Cabral de Melo Neto. De músicos a cineastas excelentes. O pernambucano não quer ser imitador. Ele é autêntico. Assim se expandiu pelo mundo.

    Publicado em VEJA de 13 de fevereiro de 2026, edição nº 2982

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