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Como Clóvis Bornay se tornou a lenda mais extravagante do Carnaval

Com um legado atemporal, o carioca marcou época com fantasias inacreditáveis — e não tinha rivais em sua criatividade

Por Beatriz Haddad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 fev 2026, 16h49 • Atualizado em 10 fev 2026, 17h13
  • Considerado o rei dos desfiles de fantasias do Carnaval carioca, Clóvis Bornay foi um dos principais figurinistas carnavalescos do país, com uma vocação que se revelou ainda na infância e rapidamente o transformou em um símbolo de luxo, exuberância e grandiosidade estética.

    Nascido em 10 de junho de 1916, em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, Bornay era o caçula de doze irmãos, filho de mãe espanhola e pai suíço. Ainda jovem, já demonstrava grande interesse pela vida de folião, fato que o levou a vencer um concurso de fantasias no Fluminense Futebol Clube aos 12 anos. Vestido de cossaco, frequentava bailes de Carnaval assiduamente, até se tornar um dos organizadores do primeiro baile à fantasia do Theatro Municipal, em 1937. Inspirado nos bailes de máscaras de Veneza, venceu a competição vestindo uma criação autoral e baseada nos trajes dos príncipes hindus.

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    Clóvis Bornay, carnavalesco, 4º lugar no Monte Líbano com “Tchaikóvski”. (//Dedoc)

    Personagem de si mesmo, Bornay foi – além de criador de bailes – museólogo, ator, cantor, pesquisador, professor e militante ativo do movimento LGBT. Carnavalesco de escolas como Salgueiro, Unidos de Lucas, Mocidade Independente de Padre Miguel e Unidos da Tijuca, foi campeão pela Portela em 1970, com o enredo Lendas e Mistérios da Amazônia.

    Ao longo de seis décadas, ele se consagrou como uma lenda dos concursos de fantasia, chegando a ser proibido de competir, aos 84 anos, após ser declarado “hors-concours” — expressão francesa que caracteriza alguém com qualidades excepcionais acima de competição. Referência absoluta de luxo e criatividade, Bornay foi responsável por estabelecer um novo padrão estético e requintado para o Carnaval.

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    Clóvis Bornay, destaque da escola de samba Porto da Pedra, durante desfile no Sambódromo (Ivo Gonzalez/VEJA)

    Destaque em eventos de elite como os realizados no Hotel Glória, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e no Copacabana Palace, o carioca virou um fenômeno aguardado anualmente na folia, com fantasias que refletiam as tendências da época. Inspirado em reis, impérios, figuras históricas, seres mitológicos e religiosos, ele compunha trajes opulentos repletos de plumas, pedrarias e bordados detalhados, que lhe renderam inúmeros prêmios ao longo de sua carreira.

    Em 9 de julho de 2005, teve uma parada cardiorrespiratória que o levou à morte. Seu cortejo fúnebre foi acompanhado pela marcha Ó Abre-Alas, de Chiquinha Gonzaga, e em 2015 foi homenageado pela escola Unidos da Tijuca com o enredo *Um conto marcado no tempo – o olhar suíço de Clóvis Bornay*.

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    Clóvis Bornay, carnavalesco (Marcelo Carnaval/VEJA)

    Com um legado reverenciado até os dias atuais, o artista ainda é tido como inspiração em exposições de moda e grandes bailes de fantasia. Neste ano, a 21a edição do Baile da Vogue teve como tema *Carnavália: O Abre Alas Fashionista da Folia!*, e um dos convidados, o influenciador Felipe Theodoro, chamou atenção com uma fantasia coruscante em homenagem a Bornay. No Carnaval, a influência dele foi responsável por moldar a estética que define os espetáculos da Sapucaí atualmente, já que Bornay foi uma das principais lideranças que contribuíram para a consolidação dos personagens ornamentados que se apresentam no centro dos carros alegóricos todos os anos.

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