Escolas da Flórida censuram Shakespeare por conteúdo ‘picante’
Nova medida conservadora define que peças como 'Romeu e Julieta' serão apresentadas aos alunos somente através de trechos selecionados
Em um novo movimento conservador no estado da Flórida, nos Estados Unidos, obras de Shakespeare, como Romeu e Julieta, serão censuradas nas escolas, por suposto conteúdo “picante”. O plano é mostrar apenas trechos do autor, sem disponibilizar os textos integralmente. Segundo o jornal local Tampa Bay Times, os conselhos escolares acreditam que podem ensinar os alunos sobre o autor evitando “qualquer coisa picante ou sexual”. Alguns professores, no entanto, são críticos da ideia. “Acho que o resto da nação – não, o mundo, está rindo de nós. Remover Shakespeare em sua totalidade porque o relacionamento entre Romeu e Julieta está de alguma forma explorando menores é simplesmente absurdo”, disse ao veículo Joseph Cool, professor de leitura de uma escola secundária do condado de Hillsborough.
A decisão é um efeito da legislação conhecida como Parental Rights in Education Act (Lei dos Direitos dos Pais na Educação, em português), também apelidada pelos opositores de “Don’t say gay” (Não diga gay). A lei, aprovada em março do ano passado, proíbe que as escolas da Flórida falem sobre temas como orientação sexual e identidade de gênero. Professores que abordarem assuntos do tipo em sala de aula podem ser alvo de ação judicial por parte dos responsáveis das crianças. A regra também define que materiais ligados a sexo devem ser usados exclusivamente em aulas dedicadas à saúde sexual ou reprodução. A legislação foi um projeto do governador republicano Ron DeSantis, que ambiciona concorrer à presidência nas eleições americanas de 2024.
Não é a primeira vez que obras são censuradas no plano educacional na Flórida. Até mesmo livros didáticos de matemática já foram rejeitados, por conter referências à “teoria racial crítica”, que estuda o racismo estrutural nos EUA. Títulos de literatura em geral, como A Culpa é das Estrelas, trama infantojuvenil do autor John Green, também foram colocados em uma lista de obras restritas, em razão de conteúdo sexual.
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