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Noah Wyle, de The Pitt: ‘Interpretar um médico é desafiador’

Herói da série, americano de 54 anos exalta o realismo da trama de sucesso — que acaba de lhe render um Globo de Ouro

Por Raquel Carneiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 jan 2026, 06h00 • Atualizado em 16 jan 2026, 12h17
  • A primeira temporada de The Pitt segue a avalanche emocional sofrida pelos médicos num plantão de quinze horas. O que a segunda fase, que estreou recentemente na HBO Max, soma à história? Na primeira, o tema era como médicos são também pacientes. Agora, vemos que médicos não são bons pacientes. Eles raramente aceitam ajuda. É difícil tirar a máscara da competência diante de pacientes e colegas e admitir fragilidades. Se não for tratado, o problema tende a se acumular ao longo de turnos, anos, décadas, e isso cobra um preço da saúde mental dessas pessoas.

    Seu personagem, o doutor Michael Robinavitch, sofre crises de ansiedade. Nos bastidores, como cuida da sua saúde mental? Interpretar um médico é desafiador. Todos da equipe temos de cuidar bem de nós mesmos durante o processo, pois as exigências físicas da série também são extremas.

    Como assim? Trabalhamos catorze horas por dia, cinco dias por semana por nove meses seguidos para recriar as quinze horas de um plantão — que se tornam quinze episódios. À medida que o programa avança, precisamos exibir essa fadiga crescente.

    Qual é a preparação para encarar esse desafio? No início da temporada, pedi a todos os atores que ficassem de pé por quinze horas. A cada hora, notamos quando a fadiga começou a aparecer. Onde dói? Quando sentimos fome? Isso nos deu a fisicalidade de que precisávamos.

    The Pitt é tida como uma série com conceitos medicinais precisos, assim como Plantão Médico, da qual o senhor fez parte nos anos 1990. Qual a importância desse viés? Séries assim se tornam um ponto de conversa entre médico e paciente. Com Plantão Médico, se algo estava no roteiro, você podia acreditar. Depois, a fidelidade das séries médicas ficou maleável. Hoje, vemos muita desinformação injetada na relação médico-paciente, que costumava ser sagrada. Há uma frustração crescente de tentar tratar pessoas que veem a medicina muitas vezes com desconfiança.

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    Na primeira temporada, um caso enfocado falava de pais que procuraram ajuda médica na internet. Já fez isso? Sim, claro, quem não fez? Mas corremos o risco de virar especialistas em desinformação ou em informação limitada. Não há como obter educação médica pesquisando no Google. Médicos são especialistas, têm estudo. Ao questioná-los, fazemos isso por nossa conta e risco.

    Publicado em VEJA de 16 de janeiro de 2026, edição nº 2978

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