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Todos os gêneros do cinema: o legado de Rob Reiner

Os corpos de Reiner, de 78 anos, e Michele, 68, foram encontrados na residência do casal, em Los Angeles, com sinais evidentes de esfaqueamento

Por 19 dez 2025, 06h00 • Atualizado em 19 dez 2025, 10h44
  • É indício de grandeza um diretor de cinema ser capaz de navegar entre gêneros sem perder a qualidade, celebrado pelo público e aplaudido pela crítica. O americano Rob Reiner faz parte dessa estirpe. Ele começou a ganhar destaque, depois de um breve período como ator, com um “falso documentário” de 1984, Isto é Spinal Tap. É a história de uma banda fictícia de heavy metal britânica, que satiriza os grandes excessos do cenário musical dos anos 1970 e 1980, os ataques de estrelismo dos músicos e as superproduções típicas daquele tempo. O negócio fez tanto sucesso que o Spinal Tap começou a existir de verdade. Além de lançar discos, fez turnês por Estados Unidos e Europa. Uma sequência de Spinal Tap foi lançada agora em 2025. Em 1986, Reiner faria meio mundo chorar com o drama de quatro garotos do Maine que decidem buscar o cadáver de um menino desaparecido, tema do clássico imediato Conta Comigo, atalho para o estrelato de River Phoenix. Depois, em 1989, de mãos dadas com a roteirista Nora Ephron, construiria a comédia romântica Harry e Sally — Feitos Um para o Outro, com Meg Ryan e Billy Crystal, e uma das mais bem construídas cenas da história, o falso orgasmo no restaurante, entre uma mordida e outra em um sanduíche no Katz’s, de Nova York, que viraria atração turística — ainda hoje é comum ver ali casais simulando o júbilo sexual da tela. É o caso de morrer de medo? Então vá de Louca Obsessão, de 1990, baseado em um livro de Stephen King, o relato do escritor sequestrado por uma fã dentro de casa, e valha-nos deus. Reiner nos levou para todo tipo de sentimentos.

    Um único tema o afastava das câmeras, quando não era estímulo para juntar as duas pontas: a política. Democrata fervoroso, nunca escondeu o ativismo. Ele e sua mulher, Michele Singer, fotógrafa, doaram cerca de 2,7 milhões de dólares para candidaturas que se opunham ao Partido Republicano. Em 2024, segundo o The New York Times, ele deu 100 000 reais para a campanha de Joe Biden contra Donald Trump. Um pouco antes, em 2017, organizou um comitê de artistas e juristas destinado a investigar e divulgar informações sobre o papel da Rússia de Vladimir Putin na primeira eleição de Trump, a quem Reiner comparava a um zumbi ou uma barata, um “agressor sexual declarado culpado”, uma “fraude” fadada a “demolir a democracia”.

    No domingo 14, os corpos de Reiner, de 78 anos, e Michele, 68, foram encontrados na residência do casal, em Los Angeles, com sinais evidentes de esfaqueamento. A polícia trabalhava, até a quinta-feira 18, com a hipótese de assassinato cometido pelo filho dos dois, Nick, de 32 anos. Apesar da comoção, e alheio à elegância do trabalho de Reiner, Trump tratou a passagem com desfaçatez — como se a morte do cineasta o autorizasse a prestar contas depois das acusações de que foi alvo. Na rede social Truth Social, o presidente não poupou palavras ao dizer que os dois morreram em decorrência “do ódio que provocaram nos outros por meio de sua enorme, inflexível e incurável doença que paralisa a cabeça, a Síndrome do Transtorno de Trump”. Melhor seria ficar com um comentário de Kamala Harris, a candidata derrotada na eleição do ano passado: “Rob Reiner impactou gerações de americanos; os personagens, os diálogos e as imagens que ele criou para o cinema e a televisão estão presentes em nossa cultura”.

    Publicado em VEJA de 19 de dezembro de 2025, edição nº 2975

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