‘2025 começou ruim e piorou’, diz diretor da gestora B.Side
Luis Lucas, da área de Investment Banking, explica por que o humor do mercado ficou mais azedo

Como o banco de investimentos da B.Side captou 2 bilhões de reais em 2024, o dobro da meta? Temos clientes pessoa física que buscam renda fixa com isenção fiscal. Então, olhamos o mercado de dívida estruturada e definimos três linhas de negócio. Os certificados de recebíveis imobiliários de projetos em construção, responsáveis por 50% das operações. O reperfilamento de dívidas, em que quitamos a dívida original da empresa e alongamos os vencimentos, que gerou 40% das transações. Os recebíveis de projetos já em operação, com uma fatia de 10%.
O que esperar de 2025? O ano começou difícil e está piorando. Em 2024, nossos clientes responderam por 30% das captações, e nossos parceiros, como os investidores institucionais, pelo restante. Esses parceiros estão mais cautelosos. Estou nisso há dezoito anos e nunca vi o mercado tão fechado para novas operações.
Por quê? Parte é o efeito manada. Se uma empresa de um setor não paga, os investidores rejeitam o setor inteiro. Alguns concorrentes levaram ao mercado empresas que ficaram inadimplentes. Isso deixou todos mais exigentes. As taxas e as garantias exigidas estão em níveis que não imaginaríamos. Esperamos um volume de negócios 30% menor.
O que mais mudou? Em 2024, olhávamos projetos com rentabilidade de 25% ao ano. Hoje, ela deve ser de 30% ou mais, com endividamento inferior a 2,5 vezes a dívida líquida sobre Ebitda. Antes, era de até três vezes. Subimos a régua.
Publicado em VEJA, março de 2025, edição VEJA Negócios nº 12