A inesperada reação do governo à derrubada do tarifaço nos EUA
Para Haddad, decisão da Suprema Corte é “boa notícia”, mas governo mantém cautela sobre efeitos imediatos e encontro com Trump no próximo mês
O governo brasileiro reagiu com contenção à decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, anunciada nesta sexta-feira, 20, que considerou ilegais as tarifas aplicadas pelo governo de Donald Trump. A postura cautelosa surpreende, dado que o Brasil foi um dos países mais afetados pela medida, com sobretaxas de até 50% sobre parte de suas exportações.
“Em princípio, é uma boa notícia”, afirmou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, frase que sintetiza o alívio inicial, mas também a prudência diante das incertezas sobre os efeitos práticos da decisão. Isso porque não está claro como, e com que velocidade, ela será implementada. No comércio internacional, vitórias jurídicas raramente produzem efeitos automáticos: podem surgir disputas administrativas, pedidos de modulação dos efeitos ou mesmo tentativas de reinterpretação por parte do Executivo americano, prolongando a incerteza.
É nesse contexto que Fernando Haddad classificou o resultado como “evidentemente favorável aos países”, mas sem triunfalismo. O ministro procurou enquadrar a decisão como uma validação da estratégia adotada por Brasília desde o início da controvérsia. “O Brasil, em todos os momentos, se comportou diplomaticamente da maneira mais correta”, afirmou. Segundo ele, o país “acreditou no diálogo” e recorreu aos “canais competentes”, tanto na Organização Mundial do Comércio quanto no próprio Judiciário americano, ao mesmo tempo em que manteve conversas diretas com Washington sobre temas sensíveis da agenda bilateral. “Do ponto de vista da relação bilateral, agimos de forma impecável”, disse.
O Brasil esteve entre os países atingidos por tarifas de até 50% sobre produtos exportados aos Estados Unidos. A sobretaxa incidiu sobre itens como máquinas e equipamentos e café solúvel. Segmentos que, embora não liderem a pauta exportadora, representam a estratégia brasileira de agregação de valor e diversificação industrial.
O impacto foi duplo. De um lado, encareceu produtos brasileiros no maior mercado consumidor do mundo; de outro, ampliou a incerteza regulatória para empresas inseridas em cadeias globais de valor.
O governo se manifesta, mas evita clima de comemoração. O momento ainda é sensível, pois não se sabe se a decisão alterará o tom ou o conteúdo do encontro previsto entre o presidente Lula e Trump, previsto para o próximo mês.






