Agro vira novo ‘pote de ouro’ da balança comercial
Balança registra superávit de US$ 1,11 bilhão na 3ª semana de março, com setor puxando o desempenho

A balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 1,11 bilhão na terceira semana de março, um número que chamou atenção não pelo montante em si, mas pelo que impulsionou esse resultado. Em vez de as commodities tradicionais como minério de ferro e petróleo serem as grandes responsáveis pelo saldo positivo, desta vez foi a agropecuária que se destacou.
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações do setor cresceram 28,4% na comparação com o mesmo período do ano passado, puxando o desempenho comercial do país. Em contraste, as exportações da indústria extrativa recuaram 4,2%.
Outro setor que contribuiu para o bom desempenho das exportações foi a indústria de transformação, com alta de 19,2% nas vendas externas.
Segundo especialistas, o forte desempenho da agropecuária em março pode ser atribuído a uma combinação de fatores. A safra recorde de grãos, especialmente de soja e milho, que começou a ser colhida no início do ano, impulsionou as exportações. Além disso, há uma forte demanda externa por carnes, café e algodão brasileiros aquecido, especialmente na China e nos países do Sudeste Asiático.
A diversificação dos mercados compradores também explica o reinado do agro na pauta exportadora. Embora a China continue sendo um dos principais mercados, novas parcerias vêm sendo firmadas com países do Oriente Médio, Sudeste Asiático e Europa.
Em março, a balança acumula superávit de US$ 5,88 bilhões e, no ano, tem saldo positivo de US$ 7,81 bilhões.
Em termos de importações, a agropecuária também apresentou crescimento, com alta de 38,7%, impulsionada pela compra de insumos agrícolas e máquinas. O aumento na demanda por produtos importados, especialmente da indústria de transformação (que subiu 14,2%), sugere que a atividade econômica interna, pelo menos no setor produtivo, permanece aquecida.