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Agronegócio e Selic: menos caixa, mais dívidas e venda forçada de terras

Para Gustavo Junqueira o cenário piora com o enxugamento do crédito ao produtor rural

Por Veruska Costa Donato 26 jan 2026, 12h08 • Atualizado em 26 jan 2026, 12h17
  • A primeira reunião do ano do Banco Central caminha para um desfecho já bastante precificado: manutenção da Selic em 15%. Para Bruno Lavieri, economista e fundador da 4Intelligence, a inflação corrente até dá sinais de alívio, mas o problema está mais à frente. As expectativas para 2027, 2028 e 2029 seguem acima do centro da meta, o que indica que a credibilidade do BC ainda não está totalmente ancorada. Traduzindo: enquanto o mercado não acreditar que a inflação vai convergir para 3%, o juro precisa continuar alto. Corte, só mais adiante — e bem devagar.

    Do lado da economia real, o impacto já é visível. Gustavo Junqueira, colunista da Veja e ex-secretário de Agricultura de São Paulo, explica que a virada brusca da Selic — de quase 2% para 15% — pegou o setor produtivo, especialmente o agro, no contrapé. Juros baixos estimularam investimentos, compra de terras e alavancagem. A conta chegou junto com a queda no preço das commodities, como a soja, que saiu da casa dos R$ 200 para cerca de R$ 130 a saca. Resultado: menos caixa, mais dificuldade para pagar dívidas e venda forçada de ativos.

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    Nesse ambiente, o crédito ficou ainda mais seletivo. Junqueira chama atenção para a mudança de postura do Banco do Brasil, tradicional pilar do financiamento do agro, que teria reduzido a renovação de linhas, deixando produtores sem fôlego. O efeito macro pode até parecer controlado, mas no micro há uma “seleção natural”: ficam os mais capitalizados, saem os mais endividados. É o famoso pé no freio — necessário para a inflação, mas doloroso para quem produz.

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