As 50 melhores empresas para trabalhar com jornada flexível
A flexibilidade é a “nova remuneração”, diz diretora da Great People/GPTW

Em tempos de pressão por retorno ao modelo presencial de trabalho nos escritórios corporativos, algumas empresas têm se destacado pela valorização da flexibilidade da jornada. A Vivo é uma delas. A empresa ficou em primeiro lugar na premiação das Melhores Empresas Para Trabalhar GPTW: Jornada de Trabalho Flexível. Em sua segunda edição, o prêmio avaliou 886 empresas, que juntas empregam 900 mil funcionários. Entre as maiores companhias premiadas também estão a empresa de relacionamento com cliente, AeC, a Cogna Educação, a CCR e o banco Santander.
Lançado em 2024, ranking promove as empresas que estão indo contra o movimento de retorno aos escritórios e mantendo a flexibilidade. “À medida que as empresas começaram a sinalizar um retorno aos modelos clássicos de trabalho, os funcionários começavam a demonstrar insatisfação”, diz Daniela Diniz é diretora de conteúdo e relações institucionais do ecossistema Great People/GPTW.
A lista, segundo ela, dá visibilidade para empresas que estão ouvindo seus funcionários e atentas aos impactos que a mudança para o presencial pode causar em suas vidas e em sua saúde mental. “Essas empresas estão dispostas a ouvir seus funcionários e conhecer quais são suas necessidade e preferências quando se fala de modelo de trabalho”, diz.
Segundo a executiva, a flexibilidade é a “nova remuneração”. “As pessoas buscam bons salários, mas estão dispostas a abrir mão de um salário mais alto por uma jornada mais flexível”, diz. Muitas das empresas, inclusive, também procuram testar novas formas de flexibilidade, como a experiência de redução de jornada. “Essas empresas apoiam o conceito de flexibilidade na sua gestão – independentemente do modelo adotado”, diz Daniela.
E essas são as empresas que vão sair na frente na hora de atrair os melhores talentos. Uma análise do Relatório de Tendências de Gestão de Pessoas revelou um dado contundente, segundo a executiva: quanto mais flexível é o modelo de trabalho adotado por uma empresa, menor a dificuldade em preencher vagas em aberto. Segundo o estudo, 68% das organizações que operam em modelo 100% presencial relataram desafios para contratar novos talentos, enquanto esse percentual cai para 53% entre as companhias que adotam um formato híbrido. O número é ainda menor entre as empresas que oferecem trabalho totalmente remoto, com apenas 38% relatando dificuldades na contratação.
Daniela cita o caso da Pinterest, que viu o número de pedidos de empregos subir em 90% uma semana após a Amazon ter anunciado que voltaria ao modelo presencial. “A Pinterest tem um modelo de trabalho 100% remoto”, explica.
O ranking da GPTW divide as empresas por porte e tem desde supergrandes até empresas pequenas premiadas. A maior parte das premiadas(26) é do setor de tecnologia. Do setor de serviços financeiros e seguros são seis empresas, assim como do setor de serviços profissionais. Da área de produção e manufatura, cinco empresas foram premiadas e do setor de educação e treinamento são duas empresas.
A região Sudeste domina o ranking. O estado de São Paulo é a localização de grande parte das premiadas, com 21 empresas. No Rio de Janeiro estão sete premiadas e seis em Minas Gerais. Santa Catarina tem cinco empresas e o Paraná três. Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Goiás e Sergipe têm uma empresa cada um.
Perfil dos funcionários das melhores empresas com jornada flexível
Aproximadamente, seis em cada dez colaboradores possuem até 34 anos. A distribuição etária dos funcionários manteve-se estável nos dois anos, com um aumento na participação dos mais jovens com até 25 anos, de 19% em 2023 para 21% em 2024.
A principal motivação para trabalhar nessas empresas é a oportunidade de crescimento e desenvolvimento oferecida, citada por três em cada dez pessoas nas empresas premiadas. Alinhamento de valores e qualidade de vida também são fortes razões pelas quais as pessoas escolhem trabalhar para elas.
Nesta edição, 72% das Melhores Empresas Para Trabalhar oferecem bolsa de estudos para curso de graduação ou pós-graduação, e 74% para cursos de idiomas. 60% das empresas têm uma universidade corporativa e 40% disponibilizam verba para que o funcionário use no programa de desenvolvimento que quiser.
Os dados mostram uma tendência em relação aos programas de desenvolvimento profissional oferecidos pelas empresas: o fortalecimento de programas de mentoria, oferecidos por oito a cada dez empresas premiadas. Programas de coaching são oferecidos por 20%, mesmo patamar da pesquisa anterior. Veja a lista das 50 melhores