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As finanças do Vaticano: Brasil era o terceiro maior doador do Papa Francisco

Em 2023, católicos brasileiros doaram 1,9 milhão de euros para o Óbolo de São Pedro, o fundo que financia as obras de caridade do papa

Por Márcio Juliboni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 abr 2025, 19h51 • Atualizado em 23 abr 2025, 20h16
  • Com seu humor afiado, o Papa Francisco não perdia uma oportunidade de fazer piadas com os brasileiros, demonstrando, de um jeito peculiar, seu afeto pelo país. A simpatia do pontífice, que morreu na segunda-feira 21, rendeu também resultados práticos: os católicos do Brasil se tornaram importantes doadores para o Óbolo de São Pedro, fundo mantido pelo Vaticano para apoiar as obras de caridade apadrinhadas pelo pontífice.

    Segundo a Secretaria de Economia do Vaticano – o equivalente ao Ministério da Economia de outros países -, o Brasil subiu gradualmente no ranking dos países que mais contribuem para o Óbolo até alcançar o terceiro lugar em 2023. Os números do ano passado ainda não foram divulgados.

    No ano retrasado, os fiéis brasileiros doaram um total de 1,9 milhão de euros (cerca de 12,5 milhões de reais pelo câmbio atual) para o fundo de caridade. O montante equivale a 3,9% do total arrecadado pelo Óbolo em 2023 e ficou atrás apenas dos 13,6 milhões de euros doados pelos católicos dos Estados Unidos, e da contribuição de 3,1 milhões dos italianos.

    No total, os fiéis de todos os países contribuíram com 33,3 milhões de euros às obras de caridade de Francisco em 2023. Outros 15,1 milhões foram doados por ordens religiosas e fundações. Com isso, o fundo arrecadou um total de 48,4 milhões de euros há dois anos. O resultado é 11% maior que os 43,5 milhões coletados em 2022, quando o Brasil participou com 1,5 milhão de euros, ficando em quarto lugar.

    O Óbolo de São Pedro é um dízimo especial, coletado por todas as igrejas católicas nas missas de celebração de São Pedro e São Paulo. A festividade ocorre uma vez por ano, em 29 de junho. No caso do Brasil, se esta data não cai em um domingo, a celebração – e a coleta – acontece no primeiro domingo após esse dia. Em 2025, por exemplo, a coleta ocorrerá no próprio dia 29 de junho, já que cairá num domingo.

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    Apesar da boa colocação, o Brasil perde de países com um número menor de católicos. Segundo o Annuario Pontificio de 2025, o Brasil conta com 182 milhões de católicos – o maior rebanho do mundo. Os Estados Unidos, país que mais doou para o fundo do Papa Francisco, conta com 71 milhões de fiéis. A Itália, segunda maior doadora, reúne 50 milhões de seguidores.

    Segundo a Secretaria de Economia do Vaticano, o total coletado anualmente pelo fundo não representa um teto para o financiamento de obras de caridade. É comum que os desembolsos do Óbolo sejam maiores que o valor das doações. Neste caso, a diferença é coberta por recursos de outras fontes da Santa Sé. No ano retrasado, por exemplo, o fundo contou com um total de 52 milhões de euros, entre as doações e rendimentos de aplicações financeiras. Os desembolsos, contudo, somaram 109,4 milhões, que foram distribuídos entre 236 projetos de caridade em 76 países. A África, o continente mais pobre do mundo, recebeu 42% desses recursos.

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    A preocupação de Francisco com a transparência das contas do Vaticano foi uma das marcas de seu papado. Além de determinar a divulgação de relatórios financeiros, o Sumo Sacerdote também promoveu uma pequena revolução no Banco do Vaticano e na própria forma como a cidade-Estado encravada em Roma, na capital da Itália, lida com suas finanças. Seu “ministro” da Economia era o padre Juan Antonio Guerrero, que recebeu uma missão clara de Francisco: jogar luz sobre as contas da Santa Sé, até então alvo de denúncias de lavagem de dinheiro e envolvimento com a máfia.

    Veja o relatório da Secretaria de Economia do Vaticano com a arrecadação do Óbolo de São Pedro:

     

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