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As três incertezas que mais preocupam o Banco Central

Gabriel Galípolo também revelou o que o investidor pode esperar da sua gestão neste ano

Por Camila Pati Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 fev 2026, 10h30 | Atualizado em 11 fev 2026, 10h41
As três incertezas que mais preocupam o Banco Central Priorizar nos meus resultados Google

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que o cenário externo, as eleições e dúvidas sobre o comportamento da economia, especialmente emprego e produtividade são as principais fontes de incerteza que fizeram o Comitê segurar os juros na primeira reunião do ano e usar o termo cautela como um ‘mantra’ da autoridade monetária.  “A gente está em um ambiente em que a gente tem diversas fontes de incerteza”, afirmou durante participação em evento do BTG Pactual. Segundo ele, essas incertezas se dividem em três blocos principais: cenário internacional, ano eleitoral e dificuldades na leitura das variáveis domésticas, especialmente mercado de trabalho e produtividade.

A primeira frente vem de fora. “A gente tem incerteza que vem do cenário geopolítico internacional e de mudanças na política econômica da principal economia mundial”, disse, numa referência indireta aos Estados Unidos e às reacomodações recentes de fluxo, câmbio e política comercial.

No plano doméstico, Galípolo destacou o momento político. “Há também a fonte de incerteza que é inerente e própria de um ano de eleição. Um ano de eleição sempre agrega mais incerteza”, afirmou. Segundo ele, o próprio horizonte da política monetária já ultrapassa o calendário eleitoral, mas a volatilidade pode afetar expectativas e precificação de mercado.

O terceiro bloco de incerteza, segundo Galípolo, está no comportamento das variáveis econômicas. Mesmo com a política monetária conseguindo moderar crescimento e inflação corrente, ele reconhece que há ruídos na leitura dos dados. “A gente ainda tem correlações entre as variáveis que não têm sido bem comportadas, o que dificulta extrair uma tendência mais evidente e mais clara”, afirmou.

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Um exemplo é o mercado de trabalho. Apesar dos juros elevados, o desemprego segue em níveis historicamente baixos. “A gente tem um mercado de trabalho que segue bastante apertado”, disse. Parte das vagas tem sido criada em setores como saúde, tecnologia e serviços por plataformas e áreas menos sensíveis à política monetária. Além disso, há dúvidas sobre o impacto de programas sociais e das transformações estruturais, como a inteligência artificial.

Ele também chamou a atenção para o comportamento no mercado de trabalho no Brasil. “A gente segue vendo reajustes da remuneração do trabalho acima da inflação e acima da produtividade”, afirmou, acrescentando que esse é um tema central nas discussões do BC. A harmonia entre ganhos de produtividade e remuneração é uma agenda central, segundo ele.

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O que esperar da atuação do Banco Central neste ano

Galípolo reforçou que o BC evitará movimentos bruscos e que vai tentar suavizar os ciclos. “A palavra-chave é serenidade”, disse. Em outro momento, comparou a atuação da autoridade monetária a um “transatlântico” e não a um “jet ski”, sinalizando que as decisões serão graduais e dependentes dos dados.

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Para Galípolo, o desafio central não é uma variável isolada, mas a soma dos fatores que reduzem a confiança nas projeções. “Num ambiente de maior incerteza, a própria confiança que a gente pode atribuir às projeções cai”, afirmou, explicando por que o Copom tem optado por mais cautela na sinalização do ciclo de política monetária.

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