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Ata do Copom indica que início do ciclo de queda da Selic será modesto

Banco Central admite cortar os juros a partir de março, mas adverte que a inflação ainda resiste a convergir para o centro da meta nas projeções até 2027

Por Márcio Juliboni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 fev 2026, 08h54 • Atualizado em 3 fev 2026, 08h57
  • O início do ciclo de cortes da taxa básica de juros, a Selic, pode ser mais modesto do que aposta parte do mercado, a julgar pela ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira 3. O tom geral do documento é de cautela e de preocupação com as expectativas de inflação, que seguem acima do centro da meta de 3%, situando-se em 3,4% neste ano e em 3,2% em 2027. Na semana passada, conforme amplamente esperado, o colegiado do Banco Central (BC) manteve a Selic em 15% ao ano, mas indicou que está disposto a começar a baixá-la a partir de março.

    Como era previsível, o mercado começou a cogitar qual será o tamanho do corte, dividindo-se entre apostas de 0,25 ponto percentual e de 0,50 ponto. Na ata desta terça-feira, a autoridade monetária informa que antevê, “em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.

    A “restrição adequada” é o sinal mais claro de que os juros podem começar a baixar em doses modestas. O Copom observou ainda que as análises feitas na reunião da semana passada indicaram que “em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”.

    As tais expectativas desancoradas são o jargão dos economistas para se referir ao fato de que o mercado ainda não enxerga a inflação convergindo para o centro da meta. Entre os motivos desse ceticismo, estão a inflação de serviços, que permanece resiliente em função do aumento da renda acima dos ganhos de produtividade da economia, e o mercado de trabalho ainda aquecido. O Copom lembrou que a taxa de desocupação permanece há meses na mínima histórica. “O Comitê relembra que o arrefecimento da demanda agregada é um elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta.”

    A ata também deu outro puxão de orelha no governo, ao cobrar mais uma vez responsabilidade fiscal. “Uma política fiscal que atue de forma contracíclica e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta”, afirmou. Segundo a diretoria do BC, “o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária”. Traduzindo: enquanto o governo insistir em gastar mais do que arrecada, a taxa de juros neutra – aquela que nem estimula, nem atrapalha o crescimento econômico – precisa ser maior, a fim de conter a inflação.

    Por isso, o Copom observa que até pode começar a baixar os juros a partir de março, mas ” a magnitude e a duração do ciclo de distensão monetária serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises, permitindo uma avaliação mais precisa”. O colegiado do BC acrescenta que “essa decisão é compatível com o cenário atual, no qual sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre o nível de preços ainda dificultam a identificação de tendências claras”.

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