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BC intervém e liquida empresas da Entrepay após irregularidades

Autarquia aponta fragilidade financeira, descumprimento de normas e risco a credores; investigação pode atingir executivos

Por Ernesto Neves 27 mar 2026, 10h45 • Atualizado em 27 mar 2026, 10h47
  • O Banco Central do Brasil decretou nesta sexta-feira (27) a liquidação extrajudicial de três empresas ligadas ao grupo Entrepay, em uma decisão que expõe fragilidades no segmento de instituições de pagamento e levanta dúvidas sobre a governança de fintechs de menor porte.

    Foram atingidas a Entrepay Instituição de Pagamento, a Acqio Adquirência e a Octa Sociedade de Crédito Direto, que integravam o mesmo conglomerado prudencial.

    Segundo o BC, a medida foi motivada pelo “comprometimento da situação econômico-financeira”, além de infrações às regras do sistema financeiro e prejuízos que colocariam credores em risco considerado anormal.

    A liquidação extrajudicial é um mecanismo previsto na legislação para encerrar atividades de instituições financeiras ou de pagamento sem necessidade de decisão judicial, quando há indícios de insolvência ou irregularidades graves.

    Na prática, significa que a empresa perde o controle de suas operações, que passam a ser conduzidas por um liquidante nomeado pela autoridade monetária.

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    De acordo com o BC, o conglomerado tinha participação residual no sistema financeiro, equivalente a cerca de 0,009% dos ativos totais.

    Ainda assim, especialistas avaliam que o impacto pode ir além do tamanho formal da empresa, sobretudo por sua atuação no mercado de adquirência, que conecta lojistas a bandeiras como Visa e Mastercard.

    Relatos de mercado indicam que a operação pode afetar cadeias de pagamento, especialmente entre pequenos e médios estabelecimentos que utilizam maquininhas vinculadas ao ecossistema da Entrepay.

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    Em casos semelhantes, a interrupção de serviços costuma gerar atrasos em repasses e necessidade de migração emergencial para outras plataformas.

    Outro ponto de atenção é a ausência de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos para os recursos movimentados pelas empresas liquidadas, já que instituições de pagamento não operam com depósitos tradicionais. Isso limita a proteção a clientes e parceiros em caso de perdas.

    Além da intervenção, o Banco Central determinou a indisponibilidade de bens de administradores e ex-administradores ligados ao grupo, medida que busca preservar recursos para eventual ressarcimento de credores.

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    A autarquia informou ainda que seguirá apurando responsabilidades, o que pode resultar em sanções administrativas e encaminhamento do caso a outras autoridades.

    O episódio ocorre em um momento de maior escrutínio sobre fintechs e empresas de pagamento no Brasil, após anos de expansão acelerada do setor impulsionada por inovação tecnológica e menor regulação inicial.

    A decisão do BC reforça uma mudança de postura do regulador, com atuação mais rigorosa para evitar riscos sistêmicos, ainda que localizados.

    O caso Entrepay tende a servir como teste para a resiliência do ecossistema de pagamentos e para a confiança em novos entrantes do sistema financeiro.

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