Brasil criou 432 000 vagas formais de trabalho em fevereiro e surpreende mercado
Dados do Caged divulgados nesta sexta-feira 28 ficaram bem acima das projeções dos analistas e mostram economia aquecida

O Brasil criou 431 995 vagas formais de trabalho em fevereiro, segundo os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados nesta sexta-feira 28 pelo ministério do Trabalho. O resultado é a diferença entre os 2,5 milhões de contratações e os 2,1 milhões de demissões registrados no mês passado. O número também ficou bem acima das estimativas do mercado, que projetavam a criação de cerca de 200 000 vagas.
O desempenho é o melhor desde 2020. Segundo o ministério do Trabalho, fevereiro foi melhor para as mulheres, com um saldo líquido de quase 230 000 contratações. Entre os homens, o saldo líquido foi de pouco menos de 203 000 vagas. O salário médio real de admissão foi de 2 205,25 reais. A cifra é 3,5% menor que a de janeiro, mas representa um ganho real de 15 reais sobre fevereiro do ano passado.
O destaque foi o setor de serviços, que criou 254 812 vagas, seguido pela indústria (69 884 vagas), comércio (46 587 postos), construção (40 871 postos) e agropecuária (19 842 vagas). De acordo com o Caged, a criação de empregos foi positiva em 26 das 27 unidades da federação. A exceção foi Alagoas, que fechou 5 471 vagas no mês passado. Na ponta positiva, o destaque foi o estado de São Paulo, que abriu 137 581 postos.
Com isso, o país acumula a criação de 576 081 postos de trabalho no primeiro bimestre de 2025, representando um crescimento de 20% sobre os 480 733 postos abertos no mesmo período do ano passado. Os serviços lideram as contratações, com um saldo de pouco mais de 304 000 vagas. O número é 1,32% maior que o acumulado pelo setor no mesmo bimestre de 2024.
Já a indústria gerou quase 141 000 postos no acumulado de janeiro e fevereiro. Segundo o Caged do ministério do Trabalho, o movimento foi puxado pelo setor de fumo, com a abertura de 8 367 vagas, seguido pela confecções de vestuário, com 5 700 postos, e pelo abate de aves, com 4 700 vagas.
A construção, que tradicionalmente absorve trabalhadores pouco qualificados, acumula quase 80 000 vagas criadas até fevereiro, com destaque para a construção imobiliária, que gerou 28 000 postos. A agropecuária, que está colhendo uma safra recorde de grãos neste início de ano, apresenta um saldo positivo de pouco mais de 56 000 vagas.
Os dados do Caged reforçam a avaliação de analistas de mercado e de economistas de que o mercado de trabalho continua aquecido. Na manhã desta sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de desemprego no trimestre encerrado em fevereiro foi de 6,8%, ante os 6,1% do trimestre anterior (novembro e dezembro de 2024, e janeiro de 2025).
A alta já era esperada pelo mercado e reflete o fechamento das vagas temporárias abertas no período do Natal. Os analistas consideram, também, que o desemprego de 6,8% ainda sinaliza que o Brasil está operando perto do nível de pleno emprego. Com isso, o consumo das famílias deve seguir puxando a economia e pressionando a inflação nos próximos meses.