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Cedro aposta em minério e sustentabilidade para crescer no mercado global

Plano de avanço da empresa prevê elevar a produção para 9 milhões de toneladas até 2028 e alcançar 20 milhões até 2030

Por Carolina Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 jan 2026, 14h39 • Atualizado em 29 jan 2026, 14h57
  • A Cedro Mineração avança em seu plano de expansão com foco na produção de pellet feed de redução direta, um minério de ferro considerado premium por sua alta qualidade e menor impacto ambiental. O principal projeto do grupo está em Mariana (MG), onde a empresa finaliza o processo de licenciamento ambiental para ampliar a capacidade produtiva da mina.

    Atualmente, a Cedro opera duas minas, em Nova Lima e Mariana, com produção total de cerca de 7 milhões de toneladas por ano. A expansão em Mariana representa o primeiro grande salto de crescimento da companhia e marca sua entrada em um nicho estratégico da mineração global. “O pellet feed é um tipo de minério mais nobre, com menos contaminantes, que serve para altos-fornos que usam gás natural e energia para produzir aço”, explica Fabiano, executivo do grupo Cedro. Segundo ele, trata-se de um produto capaz de reduzir em pelo menos 50% as emissões de CO₂, o que o torna essencial no processo de descarbonização da siderurgia.

    Investimento e parceria com a Vale

    O projeto em Mariana envolve um investimento de aproximadamente 640 milhões de dólares na construção de uma planta dedicada à produção de minério de alto teor. Parte do depósito mineral é própria da Cedro e parte é fruto de um arrendamento com a Vale, que também será a compradora de 100% da produção. “Vamos criar uma simbiose: nós produzimos um minério de alta pureza dedicado e entrega isso no sistema logístico da Vale, que vai levar o produto aos mercados externos”, afirma o executivo.

    Para viabilizar a operação, a empresa também prevê a construção de uma correia transportadora de longa distância, com cerca de 18 a 19 quilômetros, ligando a mina à ferrovia da Vale. A solução reduz custos logísticos, consumo de energia e emissões de carbono.

    Mineração moderna e sem barragens

    Desde a concepção do projeto, a sustentabilidade tem sido um dos pilares centrais. A nova planta será altamente automatizada, com sistemas avançados de controle de qualidade e reciclagem intensiva de água. “A Cedro não usa barragens nas suas operações. Em Mariana, essa expansão será feita com filtragem e empilhamento a seco do rejeito”, destaca Fabiano. Segundo ele, a planta já nasce com “tudo de melhor que existe”, para garantir não apenas a qualidade do produto final, mas também a sustentabilidade do processo.

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    O pellet feed de redução direta é hoje um dos minérios mais disputados do mundo e também um dos mais difíceis de produzir. “É o produto que todo mundo quer, mas ninguém o tem para vender”, resume o executivo. A demanda cresce principalmente na Europa e no Oriente Médio, regiões que vêm investindo na transição para uma siderurgia mais limpa. No entanto, a oferta segue limitada, já que poucas jazidas no mundo conseguem atingir o padrão necessário. Nesse cenário, o Brasil desponta como um dos principais fornecedores globais, ao lado de países como Canadá e algumas regiões da África.

    Além do impacto econômico, o projeto em Mariana deve gerar cerca de 300 empregos diretos quando a planta estiver em operação. No pico das obras, a expectativa é de mais de 1.500 postos de trabalho. A empresa afirma priorizar a contratação de mão de obra local. O plano de crescimento da Cedro prevê elevar a produção para 9 milhões de toneladas até 2028 e alcançar 20 milhões de toneladas até 2030. Para sustentar esse avanço, a companhia aposta na ampliação de minas licenciadas e no Projeto Porto do Meio, um novo terminal portuário conectado à ferrovia da MRS, cujo licenciamento ambiental já está em estágio avançado.

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