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Correios afundam: os motivos e os prejuízos do rombo bilionário

Para o economista Lucas Sucena, empresa estatal “ficou presa nos anos 1980” e sofre com ineficiência estrutural e falta de modernização

Por Redação 17 out 2025, 13h07 • Atualizado em 17 out 2025, 13h08
  • O anúncio de que os Correios pretendem captar R$ 20 bilhões em empréstimos para cobrir prejuízos acendeu o alerta no mercado e trouxe de volta o debate sobre a sustentabilidade financeira da estatal. O economista Lucas Sucena, sócio da Adda Partners, analisou o tema no programa Mercado, do site de VEJA, apresentado por Veruska Donato, e foi categórico: o problema não é falta de dinheiro — é gestão e estrutura.

    “Os Correios são um monopólio, praticamente sem concorrência, e ainda assim acumulam prejuízos bilionários. Isso mostra que o problema não é caixa, e sim ineficiência. A empresa inchou, não se modernizou e perdeu o timing das novas tecnologias”, disse Sucena.

    De superávit a rombo bilionário

    A crítica do economista reflete a rápida deterioração das contas da estatal. Há apenas dois anos, os Correios registravam superávit; em 2024, o resultado ficou próximo da estagnação; e agora, em 2025, a empresa deve encerrar o ano com rombo histórico.

    O governo, segundo Sucena, deverá intervir de alguma forma — seja por meio de bancos públicos, seja com pressão sobre instituições privadas para financiar a estatal.

    “Esse empréstimo de R$ 20 bilhões virá de algum lugar. Ou o próprio governo coloca o dinheiro, ou os bancos vão ser ‘convencidos’ a emprestar. Mas isso não resolve o problema estrutural”, pontuou.

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    Sinalização de abertura ao setor privado

    Segundo o economista, há também movimentos iniciais para buscar um sócio privado — algo impensável até pouco tempo atrás.

    “Fala-se em encontrar um parceiro minoritário, mas é difícil imaginar quem teria coragem de investir em uma empresa desse tamanho, com esse nível de ineficiência. Uma privatização total seria positiva, mas o governo ainda resiste à ideia”, avaliou.

    “De volta aos anos 1980”

    Sucena também destacou a falta de atualização tecnológica e a cultura de inércia que domina a empresa.

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    “Os Correios ficaram presos no tempo. Quando você entra numa agência, parece que voltou a 1980. É um retrato de uma estatal que não acompanhou as transformações do mercado”, disse.

    O economista citou ainda exemplos de iniciativas mal planejadas, como o plano de telefonia móvel lançado pela empresa.

    “Faltou planejamento básico, um business plan. É uma companhia gigante que não entendeu seu tamanho nem o seu mercado”, criticou.

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    O desafio

    Para Sucena, qualquer tentativa de recuperação exigirá reforma administrativa profunda e abertura para o capital privado.

    “Enquanto o foco for apenas tapar buracos financeiros, o problema continuará. Os Correios precisam de eficiência, e não de novos empréstimos”, concluiu.

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