Correios afundam: os motivos e os prejuízos do rombo bilionário
Para o economista Lucas Sucena, empresa estatal “ficou presa nos anos 1980” e sofre com ineficiência estrutural e falta de modernização
O anúncio de que os Correios pretendem captar R$ 20 bilhões em empréstimos para cobrir prejuízos acendeu o alerta no mercado e trouxe de volta o debate sobre a sustentabilidade financeira da estatal. O economista Lucas Sucena, sócio da Adda Partners, analisou o tema no programa Mercado, do site de VEJA, apresentado por Veruska Donato, e foi categórico: o problema não é falta de dinheiro — é gestão e estrutura.
“Os Correios são um monopólio, praticamente sem concorrência, e ainda assim acumulam prejuízos bilionários. Isso mostra que o problema não é caixa, e sim ineficiência. A empresa inchou, não se modernizou e perdeu o timing das novas tecnologias”, disse Sucena.
De superávit a rombo bilionário
A crítica do economista reflete a rápida deterioração das contas da estatal. Há apenas dois anos, os Correios registravam superávit; em 2024, o resultado ficou próximo da estagnação; e agora, em 2025, a empresa deve encerrar o ano com rombo histórico.
O governo, segundo Sucena, deverá intervir de alguma forma — seja por meio de bancos públicos, seja com pressão sobre instituições privadas para financiar a estatal.
“Esse empréstimo de R$ 20 bilhões virá de algum lugar. Ou o próprio governo coloca o dinheiro, ou os bancos vão ser ‘convencidos’ a emprestar. Mas isso não resolve o problema estrutural”, pontuou.
Sinalização de abertura ao setor privado
Segundo o economista, há também movimentos iniciais para buscar um sócio privado — algo impensável até pouco tempo atrás.
“Fala-se em encontrar um parceiro minoritário, mas é difícil imaginar quem teria coragem de investir em uma empresa desse tamanho, com esse nível de ineficiência. Uma privatização total seria positiva, mas o governo ainda resiste à ideia”, avaliou.
“De volta aos anos 1980”
Sucena também destacou a falta de atualização tecnológica e a cultura de inércia que domina a empresa.
“Os Correios ficaram presos no tempo. Quando você entra numa agência, parece que voltou a 1980. É um retrato de uma estatal que não acompanhou as transformações do mercado”, disse.
O economista citou ainda exemplos de iniciativas mal planejadas, como o plano de telefonia móvel lançado pela empresa.
“Faltou planejamento básico, um business plan. É uma companhia gigante que não entendeu seu tamanho nem o seu mercado”, criticou.
O desafio
Para Sucena, qualquer tentativa de recuperação exigirá reforma administrativa profunda e abertura para o capital privado.
“Enquanto o foco for apenas tapar buracos financeiros, o problema continuará. Os Correios precisam de eficiência, e não de novos empréstimos”, concluiu.








