ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Cortar ou não cortar? O dilema do Copom sobre a Selic

Crescem as apostas dos economistas em manutenção dos juros a 15%

Por Veruska Costa Donato 17 mar 2026, 13h07 | Atualizado em 17 mar 2026, 13h19

Prever a taxa básica de juros no Brasil nunca foi uma ciência exata — e, neste momento, está ainda mais perto de um exercício de tentativa e erro. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, sai em meio a um ambiente que mistura variáveis domésticas já conhecidas com um ingrediente novo e incômodo: a escalada de tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Em outras palavras, qualquer projeção para a Selic amanhã é, sim, um chute — ainda que um chute informado por dados macroeconômicos.

Cai ou não cai?

Para Ricardo Rocha, colunista do programa Mercado de Veja e coordenador de finanças do Insper, o momento é digno de literatura dramática. Ele define a encruzilhada do Copom como um “dilema shakespeariano”: cortar juros e atender pressões políticas ou manter a coerência com o discurso anterior e agir com mais parcimônia. Na prática, isso pode significar uma redução menor do que parte do mercado gostaria — ou até mesmo nenhuma mudança, dependendo do humor da autoridade monetária diante do cenário.

Falta de avanço 

Rocha vai além e lembra que o problema não é apenas conjuntural. Para ele, o Brasil carrega um histórico de decisões adiadas. “O país não faz a lição de casa”, resume, ao criticar a falta de avanço em reformas estruturais. Esse pano de fundo pesa diretamente nas decisões do Banco Central, que acaba tendo que compensar, via juros, fragilidades fiscais e institucionais que já se arrastam há anos.

Queda? Que queda?

Do outro lado, Igor Lucena, economista e professor de Relações Internacionais, adota uma leitura ainda mais cautelosa — quase cética. “Eu não estou acreditando numa queda de taxas de juros”, afirma. Se vier algum movimento, diz ele, seria algo muito tímido, de no máximo 0,25 ponto percentual, e ainda assim acompanhado de um discurso duro do Banco Central. O motivo é simples: o ambiente não ajuda. Tensões internas, ruídos institucionais e o cenário internacional mais instável fazem investidores recuarem, o que pressiona o câmbio e, por consequência, a inflação.

Credibilidade do BC

Lucena chama atenção para um ponto sensível: a credibilidade. Segundo ele, o Banco Central brasileiro ainda é respeitado globalmente, mas esse ativo pode se deteriorar rapidamente se houver percepção de interferência ou perda de disciplina econômica. No limite, o risco é comprometer uma construção que vem desde o Plano Real. E, no meio desse tabuleiro, juros altos continuam sendo um freio para empresas — especialmente aquelas em recuperação judicial, que dependem de crédito mais barato para voltar a crescer. No fim, a decisão de amanhã pode até trazer uma sinalização, mas dificilmente encerrará as dúvidas.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

OFERTA RELÂMPAGO

Digital Completo

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital , você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 52% OFF

Revista em Casa + Digital Completo

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 12,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).