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Demos uma dose forte do remédio e vamos observar o efeito, diz Galípolo sobre juros

Presidente do BC reforçou que alta recente de três pontos percentuais na Selic deixa a taxa básica "com segurança" em nível contracionista

Por Juliana Elias Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 27 mar 2025, 14h27 - Publicado em 27 mar 2025, 13h36

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que, depois de o Banco Central ter cumprido a promessa de subir a Selic em expressivos três pontos percentuais nos últimos meses, a taxa básica de juros do país já se encontra com folga em um nível contracionista, ou seja, já está agindo para enfraquecer o consumo e a economia. E esta é uma das grandes  razões que justificam a decisão do BC de reduzir o ritmo de altas dos juros daqui para frente e, eventualmente, dar também uma pausa nelas.

“A partir da entrega agora dessa alta [de 3 pontos], já estamos ingressando num ambiente de patamar de juros que é contracionista com alguma segurança e que é historicamente elevado”, disse Galípolo, que falou em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, 27, pela apresentação do Relatório de Política Monetária, publicação em que o BC detalha as suas análises e projeções acerca do cenário econômico e de como pode influenciar os preços.

A Selic subiu de 11,25% para 14,25% entre dezembro do ano passado e março deste ano, um dos aumentos mais fortes e rápidos dos juros em duas décadas. O nível atual, de acordo com Galípolo, “é contracionista com alguma segurança mesmo para os que estimam os níveis de taxa de juros neutras mais elevados”. A taxa neutra é o nível dos juros reais, acima da inflação, em que não estimulam e nem contraem a economia. Quanto mais altos os juros, maiores os seus efeitos recessivos sobre a atividade econômica.

“Esses efeitos têm uma defasagem. A partir desse patamar, estamos em um processo de continuar monitorando o máximo de dados possível para entender se esse nível de política monetária, que está contracionista, é suficiente para que possamos fazer a convergência da inflação para a meta dentro do horizonte relevante estabelecido”, disse Galípolo.

“Você dá um remédio e esse remédio tem um efeito ao longo do tempo, e a percepção de que ele funciona ou não vai ser dada por uma série de dados e indicadores, que vão nos dizer se a dosagem está adequada ou não”, acrescentou, citando a metáfora usada recentemente pelo ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga. “O remédio sempre funciona”, disse Fraga em um evento com Galípolo no mês passado, em que alertou para as dificuldades adicionais aos juros impostas pelo expansionismo fiscal do governo

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Na semana passada, o Comitê de Política Monetária, colegiado que reúne a diretoria do BC e que decide os juros, confirmou o aumento já anunciado antes da Selic em mais 1 ponto, para 14,25%, mas, diferentemente do que vinha sendo feito desde o fim do ano passado, deixou os passos futuros em abertos. No comunicado da decisão, o Copom afirmou que deve fazer ao menos mais uma nova elevação na Selic no encontro de maio, mas de “menor magnitude” – ou seja, menor do que 1 ponto, mas também não definida. O que fará dali em diante ficou em aberto, condicionado ao comportamento tanto da economia doméstica quanto internacional.

Entre as razões para a maior parcimônia, indicadas pelo Copom no comunicado e detalhadas por Galípolo e pelo diretor de Política Monetária do BC, Diogo Guillen, nesta quinta-feira, estão não só a avaliação de que é necessário aguardar, agora, os sinais defasados a serem dados pelo efeito dos aumentos já realizados nos juros, como também um forte aumento das incertezas nos últimos meses, em especial no cenário internacional após a chegada de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos em janeiro e as suas políticas de aumentos tarifários sobre o comércio internacional.

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