Dia da Mulher: Só 21% das empresas brasileiras se preocupam com equidade salarial
No Dia da Mulher, as empresas que promovem, mesmo, a equidade salarial entre homens e mulheres ainda são minoria no Brasil

No Dia Internacional da Mulher, as empresas brasileiras darão poucos motivos para suas funcionárias comemorarem neste sábado, 8 de março. Segundo uma pesquisa da consultoria Mercer, apenas 21% das companhias possuem planos específicos de promoção da equidade salarial entre homens e mulheres. O dado é ainda mais emblemático, quando se lembra que, há um ano, o Ministério do Trabalho divulgou seu primeiro Relatório sobre Transparência Salarial do país – uma ferramenta criada para incentivar a equiparação salarial entre os gêneros.
Realizada com 84 empresas brasileiras de todos os portes no último trimestre de 2024, a pesquisa da Mercer revela que o percentual de companhias que efetivamente planejam transformar seus planos de promover a igualdade salarial entre os gêneros em ações efetivas é ainda menor: 19%. Além disso, apenas 13% das pesquisadas pretendem implantar um comitê de acompanhamento das ações – algo fundamental para que as ações propostas sejam, de fato, implementadas e gerem resultados.
Mesmo o envolvimento das lideranças, outro ponto fundamental para que as mulheres possam, enfim, ganhar o mesmo que seus colegas do sexo masculino, é pequeno. De acordo com o estudo, apenas 26% das participantes têm planos de treinar os gestores sobre o tema.
Segundo a Mercer, a grande maioria das empresas (75%) limita-se a fazer diagnósticos sobre a desigualdade entre seus funcionários. Além disso, 39% das consultadas esperam que os concorrentes e o mercado em geral avance nessa questão para, então, implantar suas próprias políticas afirmativas. A boa notícia é que 82% das participantes já divulgam internamente seu relatório de transparência salarial, o que ajuda a fomentar a discussão e a mobilizar homens e mulheres.
Promover a equidade salarial de gênero não é apenas uma questão de boa vontade das empresas. Em julho de 2023, foi sancionada a Lei Nº 14.611, conhecida como a Lei da Igualdade Salarial. Ela determina que empresas com 100 ou mais funcionários devem adotar medidas concretas para pagar o mesmo salário a homens e mulheres. Entre as ações determinadas, estão a promoção da transparência salarial, a fiscalização contra discriminação, a criação de canais de denúncia, a implantação de programas de diversidade e inclusão, e o apoio à capacitação de mulheres.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres representam 51,2% da população brasileira, mas respondem por apenas 44% da força de trabalho, representada pelos indivíduos que estão, efetivamente, trabalhando ou que buscam um emprego. Isso corresponde a 48,5 milhões de mulheres que geram renda ou buscam uma vaga. No último trimestre de 2024, 44,8 milhões desempenhavam, de fato, alguma atividade geradora de renda, como o trabalho assalariado ou o empreendedorismo.
Quando estão empregadas, elas ganham, em média, 77% do salário de seus colegas homens que desempenham a mesma função. Além disso, a taxa de desemprego é maior entre as mulheres (7,6%) do que entre os homens (5,1%). Os dados são da PNAD Contínua do IBGE e se referem ao último trimestre de 2024.