ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Dívida cresce, e governo Lula perde a chance de promover ajuste robusto em 2024

O conjunto de propostas apresentadas pelo governo para conter os gastos é considerado tímido e insuficiente pelo mercado

Por Márcio Juliboni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 dez 2024, 07h00 • Atualizado em 26 dez 2024, 20h42
  • O ano de 2024 poderia entrar para a história como aquele em que o Brasil finalmente promoveu o tão necessário ajuste fiscal, mas é possível que engrosse a lista dos anos em que, mais uma vez, fracassou nessa tarefa. Desde que assumiu seu terceiro mandato, o presidente Lula viu a dívida bruta da União crescer de 72% para 79% do produto interno bruto (PIB). Exceto pelos 87% do PIB que atingiu em 2020, quando a pandemia de covid-19 desarranjou a economia global, a marca deste ano é a maior desde 1992, ano do impeachment de Fernando Collor e de uma hiperinflação de 1 119%. As pressões sobre os gastos são bem conhecidas, provêm da indexação de despesas. Parte delas é vinculada ao salário mínimo, como são os casos da previdência social e do Benefício de Prestação Continuada. Já os gastos mínimos com saúde e educação são porcentagens fixas das receitas federais estabelecidas pela Constituição de 1988. Com a indexação, o crescimento real de parte relevante das despesas ultrapassa o teto de 2,5% determinado pelo arcabouço fiscal.

    Para evitar a implosão do arcabouço já em seu primeiro ano de vigência, a equipe econômica se debruçou sobre um leque de medidas de cortes e reestruturação de gastos, debatidas com Lula e diversos ministros. A mobilização nutriu a esperança do mercado de que haveria um ajuste robusto. O pacote anunciado no fim de novembro, porém, frustrou as expectativas. Primeiro, porque veio acompanhado da intenção do Palácio do Planalto de isentar do imposto de renda quem ganha até 5 000 reais. Vista como uma vitória da ala política, a isenção custará 35 bilhões de reais aos cofres públicos. Segundo, o próprio conjunto de propostas para conter os gastos é considerado tímido e insuficiente pelo mercado para estabilizar e depois reduzir a dívida pública como proporção do PIB. A reação foi imediata: o dólar superou os 6 reais, cravando novos recordes. No papel de bombeiro, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a afirmar que o pacote não era o gran finale do ajuste fiscal e que, se necessário, novas medidas seriam adotadas. Pelo jeito, o assunto continuará quente em 2025.

    Publicado em VEJA de 20 de dezembro de 2024, edição nº 2924

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA RELÂMPAGO

    Digital Completo

    O mercado não espera — e você também não pode!
    Com a Veja Negócios Digital , você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    OFERTA RELÂMPAGO

    Revista em Casa + Digital Completo

    Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.