Dólar cai para R$ 5,65 e Ibovespa avança com decisão do BC americano e brasileiro no foco
Fed mantém taxa de juros inalterada entre 4,25% e 4,50% nos EUA; investidores esperam que Copom suba a Selic em 1 ponto percentual

O dólar fechou em baixa de 0,43% nesta quarta-feira, 19, cotado a 5,647 reais, e o Ibovespa registrou alta de 0,83% no fim do pregão, aos 132.566 pontos, enquanto os investidores repercurtem a decisão sobre a taxa de juros nos Estados Unidos e aguardam a decisão sobre a taxa Selic no Brasil. Esse é o sexto pregão seguido em que o Ibovespa avança, o que concede ao índice uma valorização de 7% no mês de março até aqui. A moeda americana, por sua vez, bateu seu menor preço desde outubro do ano passado.
No mercado internacional, o dia foi marcado pela decisão do Federal Reserve, o banco central americano, de manter a taxa de juros dos Estados Unidos inalterada entre 4,25% e 4,50%, exatamente como previsto pelo mercado financeiro. Em comunicado, o Fed afirmou que a decisão foi tomada devido ao aumento “da incerteza em torno das perspectivas econômicas”. O Fed passa por um grande desafio para equilibrar seus dois mandatos — menor taxa de desemprego com controle da inflação — em um momento em que a economia americana parece perder força, mas com uma inflação ainda fora da meta de longo prazo, um risco de “estagflação”, ou seja, estagnação econômica com pressão inflacionária.
Segundo João Paulo Fonseca, chefe de renda variável da HCI Advisors, o mercado mantém uma previsão de dois cortes de juros nos Estados Unidos neste ano. “Poderemos ver os juros americanos caminhando para o intervalo de 3,75% a 4% ainda em 2025, mas (o Fed) não terá pressa para realizar estes novos cortes”, diz o economista. Cortes de juros lá fora representam uma maior chance de migração de recursos para mercados emergentes, considerados mais arriscados, mas com taxas atrativas.
Agora, os investidores aguardam o anúncio da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, sobre o novo nível de juros no Brasil. A expectativa é quase unânime de que o colegiado promoverá um aumento de 1 ponto percentual, elevando a taxa Selic para 14,25% ao ano, conforme sinalizado no comunicado da última reunião.