Economia brasileira cresce 3,4% em 2024, maior avanço em três anos
PIB só não teve crescimento mais forte que em 2021, ano marcado pela recuperação após o choque da Covid. Resultado confirma desaceleração no 4º tri

O Produto Interno Bruto brasileiro registrou avanço de 3,4% em 2024, confirmando mais um ano de atividade forte. O resultado, divulgado nesta sexta-feira, 7, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), significou o crescimento anual mais forte do país desde 2011, à exceção apenas de 2021, quando o PIB do país cresceu quase 5% no ano de recuperação do tombo profundo causado pela pandemia em 2020.
O avanço do PIB de 2024 veio acima do esperado pelos analistas no início do ano passado. O mercado previa que o país cresceria 1,5%, de acordo com a primeira edição de 2024 do Boletim Focus, o relatório semanal do Banco Central com as projeções de bancos e consultorias para os principais indicadores econômicos.
Considerado apenas o quarto trimestre, a alta foi de 0,2% na comparação com o trimestre imediatamente anterior, confirmando uma tendência que já era esperada de desaceleração, conforme os aumentos de juros começar a fazer efeito sobre a atividade. O PIB trimestral havia crescido perto de 1% em todos os três trimestres anteriores.
Resultado
As variações positivas no desempenho do PIB vieram dos Serviços e da Indústria que, em comparação a 2023, cresceram 3,7% e 3,3% respectivamente. Na mesma comparação, a Agropecuária sofreu queda de 3,2%. Já o PIB per capita alcançou R$ 55.247,45, um avanço, em termos reais, de 3,0% frente ao ano anterior.
Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, ressalta que os principais destaques do PIB pela ótica produtiva (das atividades econômicas) foram Outras atividades de serviços (5,3%), Indústria de transformação (3,8%) e Comércio (3,8%), que juntos foram responsáveis por cerca da metade do crescimento do PIB em 2024.
Pela ótica da demanda, destaque para a Despesa de Consumo das Famílias, que avançou 4,8% em relação a 2023. “Para o consumo das famílias tivemos uma conjunção positiva, como os programas de transferência de renda do governo, a continuação da melhoria do mercado de trabalho e os juros que foram, em média, mais baixos que em 2023”, explica a pesquisadora. Outro destaque foi o investimento (FBCF) (7,3%), que apesar de ter crescido mais, tem peso menor que o consumo das famílias.
Entre os fatores que colaboraram para sustentar a atividade aquecida no ano passado estão tanto o mercado de trabalho aquecido, que passou o ano renovando as mínimas recordes da taxa de desemprego, quanto as benesses distribuídas na economia pelo governo federal – e que custaram mais um ano com as contas públicas no vermelho em 2024. Elas incluem os aumentos do salário mínimo, que puxam também os valores de benefícios como os do INSS e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e também o pagamento extraordinário de 90 bilhões de reais em precatórios atrasados, uma bomba de estímulos que começou a cair na conta das pessoas nos primeiros meses do ano passado.
Por outro lado, a reaceleração da inflação, inflada em boa parte pela expansão dos gastos públicos, e, com ela, a necessidade de o Banco Central precisar dar início a um dos ciclos de juros mais fortes das últimas duas décadas, colaboram para que o consumo e também os investimentos percam força. Desde agosto do ano passado, a Selic, taxa básica de juros do país, já subiu de 10,5% para os atuais 13,25%, e a expetativa é que o BC deve continuar aumentando até perto dos 15% nos próximos meses.