ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Encontro redefine papéis nas negociações com os EUA

Reunião entre Mauro Vieira e Marco Rubio marca reaproximação entre Brasília e Washington e estabelece divisão de tarefas para destravar negociações

Por Luana Zanobia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 out 2025, 10h28 •
  • Depois de meses de tensão e medidas punitivas, Brasil e Estados Unidos tentam reconstruir as pontes. O gesto simbólico de reconciliação – um breve abraço entre Lula e Trump durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro – abriu espaço para uma reaproximação pragmática. A videoconferência de 30 minutos entre os dois, realizada em 6 de outubro, foi o primeiro passo. A reunião entre o secretário de Estado, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, consolidou o desenho institucional dessa trégua.

    A reunião de uma hora realizada nesta quinta-feira, 16, na Casa Branca, simbolizou mais do que uma reaproximação protocolar: foi um redesenho das rotas diplomáticas e comerciais entre as duas maiores economias do hemisfério sul e norte.

    O encontro, o primeiro presencial desde o início da crise bilateral em julho, produziu um avanço discreto, porém relevante: uma divisão de tarefas que busca tirar o peso político das negociações comerciais e abrir espaço para resultados práticos.

    Pelos termos acordados, as questões econômicas, incluindo a suspensão do tarifaço de 40% sobre produtos brasileiros e a investigação sob a Seção 301 da legislação comercial americana, passarão a ser conduzidas entre o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) e o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio do Brasil, Geraldo Alckmin. Já os assuntos políticos e diplomáticos, como as sanções a cidadãos brasileiros e as tensões em torno da Venezuela, seguirão sob responsabilidade direta de Vieira e Rubio.

    O tarifaço anunciado em julho atingiu em cheio produtos como café, alumínio, calçados e autopeças, setores em que o Brasil vinha ampliando presença nos EUA. A sobretaxa de 40%, que se somou à taxa já imposta de 10%, totalizando 50%, elevou preços e reduziu margens de exportadores, ao mesmo tempo em que prejudicou consumidores americanos e pressionou cadeias de abastecimento já fragilizadas.

    Continua após a publicidade

    “O encontro foi muito produtivo, num clima excelente de troca de ideias e posições de forma clara e objetiva”, declarou Vieira após a reunião.

    O governo brasileiro busca suspender temporariamente o tarifaço, enquanto durarem as conversas, como forma de sinalizar boa vontade e abrir caminho para um acordo mais amplo. Do lado americano, há demandas antigas: maior abertura ao etanol dos EUA, acesso a minérios críticos, e mudanças na regulação das big techs no Brasil, vistas em Washington como restritivas e imprevisíveis.

    A investigação da Seção 301, aberta em julho, adicionou pressão. O relatório preliminar lista alegadas “práticas desleais” do Brasil, variando do desmatamento e corrupção à regulação do Pix e ao comércio informal da Rua 25 de Março, em São Paulo. A amplitude dos temas, vista como um sinal de fragilidade jurídica, tem sido interpretada por diplomatas brasileiros como instrumento de barganha de Washington, um mecanismo para abrir concessões em áreas sensíveis.

    Continua após a publicidade

    Ambos os governos trabalham agora para organizar o primeiro encontro presencial entre Lula e Trump, possivelmente à margem da Cúpula da ASEAN, na Malásia, no fim do mês. A expectativa é que o gesto sirva como anúncio político de retomada do diálogo, enquanto as equipes técnicas cuidam do conteúdo.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA RELÂMPAGO

    Digital Completo

    O mercado não espera — e você também não pode!
    Com a Veja Negócios Digital , você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    OFERTA RELÂMPAGO

    Revista em Casa + Digital Completo

    Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.