ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Galípolo defende mudanças no Pix em vídeo: “Proteção contra fraudes e golpes”

Segundo o presidente do Banco Central, apenas criminosos e golpistas não têm interesse em melhorar as regras do Pix

Por Márcio Juliboni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 7 mar 2025, 14h43 - Publicado em 7 mar 2025, 14h39

Sinal dos novos tempos, em que mudanças mal explicadas à população podem gerar uma avalanche de notícias falsas (as famigeradas fake news), o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, foi a campo defender as novas regras do Pix, que devem acarretar o cancelamento de 8 milhões de chaves vinculadas a CPFs e CNPJs irregulares. Em um vídeo publicado nas redes sociais do BC, Galípolo afirma que a medida “vai reforçar muito a segurança do Pix”, além de proteger os usuários de “fraudes e golpes”.

 

Ver essa foto no Instagram

 

Uma publicação compartilhada por Banco Central do Brasil (@bancocentraldobrasil)


“Chaves Pix que não estejam vinculadas a pessoas e empresas reais serão excluídas a partir do início de abril”, explica. Na prática, segundo Galípolo, isso significa que ninguém poderá vincular uma empresa a um CNPJ ou a um CPF que não pertença, de fato, ao empreendimento ou aos seus responsáveis legais. “Golpistas fazem isso”, ressalta o chefe do BC. “Usam CNPJs e CPFs quaisquer, até de pessoas falecidas, para se passar por empresas reais.”

“O objetivo dessa atualização é aumentar a segurança do Pix, proteger você de golpistas e combater o crime organizado”, pontua Galípolo no vídeo. O engajamento do próprio presidente do BC para esclarecer a mudança reflete o temor de que o caso repita a comédia de erros que envolveu o mesmo Pix no começo do ano e contribuiu para implodir a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Como se sabe, em 1º de janeiro, entrou em vigor a Instrução Normativa 2219/24, que já havia sido anunciada pela Receita Federal em meados do ano passado. A instrução ampliava o leque de instituições obrigadas a reportar as transações financeiras de seus clientes, incluindo o Pix. Até então, a regra era restrita apenas aos bancos tradicionais, deixando de fora os bancos digitais, operadoras de maquininhas de pagamento e carteiras digitais como o PayPal e o Mercado Pago. A instrução também elevava o piso das operações que deveriam ser obrigatoriamente informadas à Receita, de 2 000 para 5 000 reais no caso de pessoas físicas, e de 6 000 para 15 000 reais para empresas.

Embora tecnicamente acertada, já que visava combater crimes como a sonegação fiscal, contrabando e lavagem de dinheiro, a falta de habilidade do governo em comunicar as mudanças serviu de pretexto para que adversários de Lula usassem e abusassem das redes sociais para distorcer as novas regras e propagar notícias falsas que afirmavam que o Pix seria taxado.

Continua após a publicidade

O caso mais emblemático foi o do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), cujo vídeo viralizou nas redes sociais e alcançou 270 milhões de visualizações em poucas horas. Acuado e desnorteado, o governo revogou de supetão a medida. A decisão foi apropriada pela oposição como uma vitória.

Embora, em tese, Galípolo presida uma instituição independente por lei, a decisão de sair a campo para desfazer mal entendidos sobre o anúncio de ontem acerca da exclusão de CPFs e CNPJs inválidos não visa, apenas, evitar que seja acusado pelo governo de contribuir para enterrar a taxa de aprovação de Lula. Quer, também, evitar que potenciais ondas de fake news tirem o foco do BC de questões como o rumo da taxa Selic em um cenário de desaceleração do PIB e de inflação ainda alta. Quanto mais sossego nesta hora, melhor.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
Apenas R$ 5,99/mês*
ECONOMIZE ATÉ 59% OFF

Revista em Casa + Digital Completo

Nesta semana do Consumidor, aproveite a promoção que preparamos pra você.
Receba a revista em casa a partir de 10,99.
a partir de 10,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$118,80, equivalente a R$ 9,90/mês.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.