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Haddad tem seu mérito na alta de investimentos diretos no país

O esforço do ministro contribui para um cenário de estabilidade, apesar dos desafios fiscais e inflacionários, como não se vê em outras grandes economias

Por Redação Atualizado em 27 mar 2025, 14h30 - Publicado em 27 mar 2025, 13h04

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, embarca no sábado, 30, para uma viagem a Paris, onde irá conversar com o seu par francês sobre reformas econômicas e pautas climáticas, em preparação para uma visita que o presidente Lula fará em junho. Haddad também se encontrará com empresários locais para explicar como a reforma tributária vai favorecer investimentos estrangeiros no Brasil. Apesar dos desafios econômicos que ele enfrenta internamente, como a pressão inflacionária e a necessidade de um ajuste fiscal mais robusto, a viagem do ministro acontece em um momento propício para vender a imagem do país lá fora. Um dado impressionante, divulgado pelo Banco Central (BC) nesta quarta-feira, 26, comprova isso: em fevereiro, os investimentos diretos no Brasil atingiram a impressionante marca de 9,3 bilhões de dólares, o quarto melhor resultado mensal dos últimos 30 anos.

Segundo o boletim Estatísticas do Setor Externo do BC, o desempenho de fevereiro foi 75% superior ao do mesmo mês de 2024. Nos últimos doze meses, o investimento direto no país acumulou 72,5 bilhões em ingressos líquidos, o equivalente a 3,38% do Produto Interno Bruto (PIB), um aumento em relação aos 3,18% do PIB nos doze meses anteriores.

O crescimento nos investimentos diretos se explica por uma combinação de três fatores. O primeiro é que o Brasil está “barato”, como se diz no jargão do mercado, no rescaldo da alta do dólar ocorrida no final de 2024, e tem o segundo maior retorno em juros reais do mundo, atrás apenas da Argentina. A diferença é que o Brasil tem uma economia muito mais estável, e este é o segundo fator. Em um cenário internacional de incertezas em praticamente todas as grandes economias, o Brasil desponta como uma alternativa bastante segura, com indicadores macroeconômicos consistentes em comparação com a média global. “Poucas vezes vimos uma situação de tamanha vulnerabilidade externa, enquanto no Brasil temos um cenário de maior previsibilidade”, diz o economista Diogo Carneiro, professor do Fipecafi.

O terceiro motivo é o baixo risco geopolítico que o Brasil oferece, também em comparação com as grandes disputas que ocorrem atualmente no hemisfério norte. Os Estados Unidos se engajam em uma guerra tarifária com a China e com aliados históricos, além de se afastar politica e comercialmente da Europa, que vive um momento desafiador tanto do ponto de vista econômico como de sua segurança territorial. A China, por sua vez, se vê as voltas com a necessidade de fomentar o crescimento econômico para garantir um pouso suave dos anos de bonança. Já o Brasil é aquela potência média que segue dialogando com todo mundo e que apresenta indicadores macroeconômicos sem solavancos. “Em um momento de incerteza internacional, temos esse atributo de confiabilidade, que o Itamaraty vem construindo há bastante tempo, e que sem dúvida desperta o interesse dos investidores estrangeiros”, diz o economista André Perfeito. “A viagem do presidente Lula ao Japão, com forte foco nos negócios, é uma amostra disso.”

Perfeito destaca o “esforço notável” que Fernando Haddad está fazendo para garantir a estabilidade econômica e para manter as contas sob controle, equilibrando pressões políticas de todos os lados. “E mesmo o presidente Lula, ainda que de forma ambígua, tem reiterado o poder do Haddad”, diz o economista. Perfeito recorre ao exemplo do problema do déficit fiscal: “Nós estamos com resultado negativo, mas a verdade é que o conjunto de países do mundo está com resultados ainda piores que nós.” Os investidores olham para isso e fazem a comparação nas suas avaliações de risco, evidentemente.

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O segundo ponto é a inflação. “O Brasil vive um processo inflacionário insidioso, mas todos os países do mundo estão enfrentando isso. Aqui, pelo menos, o Banco Central está combatendo a inflação, um fato que não mudou com a gestão do presidente da instituição indicado por Lula”, diz André Perfeito.

“O Brasil paga um dos maiores juros reais do mundo e, ao mesmo tempo, não tem um cenário de risco tão grande. Ao contrário, temos uma economia muito consistente, puxada em parte pelos gastos públicos, mas ajudada também pelo consumo e pelo desemprego baixo, o que demonstra capacidade de resiliência”, completa Diogo Carneiro. E, apesar da perspectiva de que o crescimento do PIB este ano será menor do que em 2025, ainda assim o que se vislumbra é um cenário positivo em um contexto internacional ruim. “A percepção do Brasil que se tem no exterior é melhor do que a percepção que nós brasileiros temos internamente”, diz Carneiro.

Do ponto de vista das decisões que os investidores têm que tomar, muitas vezes o Brasil acaba ganhando de W.O.

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