Ibovespa afunda 2% com queda da Vale em dia de aversão ao risco
Por volta das 11h40, o Ibovespa recuava 2,11%, a 183.807,01 pontos
O Ibovespa opera em queda nesta sexta-feira, 13, com o mercado reforçando o tom de aversão ao risco às vésperas do feriado de carnaval. No cenário corporativo , o balanço da Vale mostra um cenário amargo para a empresa, que pressiona o principal índice da Bolsa. A agenda internacional traz dados da inflação americana, que pode balizar as expectativas de corte de juros nos Estados Unidos.
Por volta das 11h40, o Ibovespa recuava 2,11%, a 183.807,01 pontos. O dólar subia 0,68%, a 5,247 reais. No cenário internacional, a inflação americana, medida pelo índice de preços ao consumidor (CPI), subiu 0,2% em janeiro contra dezembro. O número abaixo do esperado pelo mercado, que aguardava uma inflação americana de 0,3%.
Bruno Yamashita, analista de alocação e inteligência da Avenue, diz que o dado surtiu poucas mudanças no mercado, com investidores ainda precificando corte juros até o fim do ano, mas com a manutenção na próxima reunião. Segundo analistas da plataforma Fed Watch, o banco central americano deve cortar juros em 0,5 ponto percentual até o fim de 2026. Com isso o Fed Funds deve encerrar o ano na faixa de 3% a 3,25% ao ano.
Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing, explica que além de um dado morno no exterior, o investidor local tende a pressionar o índice devido a aversão ao risco por causa do feriado de carnval.
“Os investidores locais tendem a realizar lucro devido ao feriado, que deve deixar a bolsa fechada até quarta-feira. Isso causa um sentimento de necessidade de fazer posições defensivas para evitar prejuízos caso algo fora do esperado acontece durante o feriado pelo mundo”, argumenta.
Balanço da Vale pesa sobre o Ibovespa
No cenário corporativo, as ações da Vale recuavam 2,61%, a 86,90 reais. Ontem, a empresa reportou um prejuízo líquido consolidado de 23,2 bilhões de reais no quarto trimestre de 2025. O resultado representa um salto de 303% sobre as perdas reportadas no mesmo período de 2024, que somaram 5,8 bilhões. Com isso, a mineradora encerrou o ano passado com um lucro líquido total de 11,8 bilhões de reais. A cifra equivale a uma queda de 56% sobre os ganhos acumulados em 2024.
Tanto no quarto trimestre, quanto no acumulado de 2025, a queda no desempenho foi puxada por baixas contábeis – impairments, no jargão financeiro – de operações de níquel e cobre nas minas de Labrador e Thompson, ambas no Canadá. As baixas resultaram em um impacto negativo de 20,9 bilhões de reais de outubro a dezembro, e de 25,1 bilhões no total de 2025.
Em suma, o investidor deve ter cautela nesta sexta-feira, visto que a realização de lucro tende a acontecer devido aos receios de o mercado ficar fechado por muito tempo, o que gera incerteza sobre os mercado globais e os impactos na Bolsa brasileira no pregão da próxima quarta-feira de cinzas.





