Ibovespa opera em leve alta com mercado à espera do relatório de emprego dos EUA
Dados completos do mercado de trabalho americano devem sair nesta próxima sexta-feira
O Ibovespa opera em leve alta nesta quinta-feira, 8, à espera do relatório mensal de emprego dos Estados Unidos (payroll), que pode dar indícios sobre a próxima decisão de juros pelo Federal Reserve (Fed). O dado será divulgado amanhã. Ainda no cenário global, há temores de uma escalada de conflitos geopolíticos após líderes europeus assumirem a possibilidade de conflito bélico contra os Estados Unidos. No cenário local, dados da produção industrial dentro do esperado pelo mercado não alteraram as perspectivas para o corte de juros no Brasil.
Por volta das 11h30, o Ibovespa subia 0,15%, a 162.210,80 pontos. Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, comenta que os dados semanais de emprego americano ficaram dentro do esperado. Os pedidos iniciais de seguro-desemprego aumentaram para 208 mil na semana que terminou em 3 de janeiro, de 200 mil (revisado) na semana anterior. O consenso era de 210 mil pedidos.
O número não modifica a expectativa do mercado para o ciclo de juros do Federal Reserve (Fed). Segundo a plataforma Fed Watch, do CME Group, 90% do mercado precifica a manutenção de juros entre 3,50% e 3,75% na próxima reunião do Fed. No entanto, a maioria dos analistas estima que a taxa de juros nos EUA deve recuar até o fim do ano para um intervalo entre 3,0% e 3,25%, queda de 0,5 ponto porcentual.
Flávio Conde, analista da Levante Investimentos, diz que embora os dados prévios sejam relevantes, o mercado segue mesmo à espera do relatório completo e mensal, que será divulgado na manhã desta sexta-feira. “Até que o dado completo seja divulgado, investidores tendem a esperar os números do emprego”, afirma.
Artur Horta, analista da The Link Investimentos, reforça que, do lado positivo, as ações voltadas para o mercado interno sobem com o mercado à espera dos dados da inflação brasileira. Por outro lado, pesam as ações do setor de mineração e siderurgia, que recuam em linha com o minério de ferro. No mercado de câmbio, o dólar subia 0,25%, enquanto investidores aguardam o primeiro leilão de títulos prefixados do Tesouro em 2026.
Os analistas lembram ainda que os dados da produção industrial brasileira ficaram em linha com o estimado pelo mercado, o que não traz grandes mudanças. A produção industrial ficou estável em novembro de 2025 após desempenho estagnado de 0%, mostram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta quinta-feira, 8. A expectativa do mercado era de uma estabilidade no período, com desempenho de 0%, ante leve alta de 0,1% em outubro. “O número acaba não fazendo preço pelo fato de vir em linha com o que era aguardado”, diz Flávio Conde, da Levante.
Tensões entre Europa e Estados Unidos ficam no pano de fundo
No cenário da geopolítica internacional, as tensões continuam. Na noite desta quarta-feira, o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse que vai se encontrar com autoridades dinamarquesas na semana que vem para discutir o desejo de Trump de adquirir a Groenlândia.
Segundo ele, uma reunião urgente foi marcada após pedidos dos ministros das Relações Exteriores dos dois países do Ártico. Quando anunciou o encontro, Rubio respondia a um questionamento sobre o motivo do governo Trump não ter aceitado a solicitação de conversa sobre a ilha feita pela Dinamarca.
Durante uma entrevista coletiva em Washington, o diplomata não respondeu diretamente à pergunta sobre o governo Trump estar disposto a arriscar aliança selada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Ontem, países europeus sinalizaram a possibilidade de um conflito bélico contra os Estados Unidos. A França confirmou que trabalha com Alemanha e Polônia para uma resposta militar e conjunta caso a invasão americana na Groenlândia aconteça.
As tensões contra a Europa não são o único foco do presidente dos EUA. O chefe do executivo americano afirmou que os Estados Unidos podem administrar a Venezuela e extrair petróleo de suas vastas reservas por anos em uma entrevista ao jornal americano The New York Times publicada na noite de quarta-feira 7. Ele ainda insistiu que o governo interino venezuelano — composto inteiramente por chavistas que participavam da ditadura do agora preso Nicolás Maduro — está “nos dando tudo o que consideramos necessário”.
Quando questionado sobre quanto tempo haverá supervisão direta da nação sul-americana, com a ameaça constante de uma ação militar dos EUA, Trump respondeu que “só o tempo dirá”. Sem especificar um período específico durante o qual Washington ditará as diretrizes políticas a Caracas, ele afirmou que estima “muito mais tempo” que seis meses ou um ano.








