Ibovespa opera estável após decisões de juros no Brasil e EUA
Por volta das 11h30, o Ibovespa avançava 0,61%, aos 185.814,31 pontos
O Ibovespa abriu em alta, mas passou a operar entre perdas e ganhos nesta quinta-feira, 29, com o mercado digerindo os comunicados do Comitê de Politica Monetária do Banco Central do Brasil e do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do BC americano, o Federal Reserve (Fed). Ontem os dois bancos centrais mantiveram juros. No entanto, o BC brasileiro sinalizou corte juros na próxima reunião. Já os dirigentes americanos divergiram nos votos, o que sinalizou que um novo corte de juros nos EUA pode estar próximo.
Por volta das 12h20, o Ibovespa recuava 0,01%, aos 183.998,40 pontos. Durante a abertura, o índice superou a marca dos 186 mil pontos. O número é um novo recorde nominal intradiário da Bolsa. Isso por que o recorde real, que é corrigido pela inflação, exige que o Ibovespa ultrapasse a marca dos 195 mil pontos. Já o dólar recuava 0,47%, a 5,169 reais.
O mercado acionário brasileiro tenta se manter de pé e não passar por uma realização de lucro após o Ibovespa acumular alta de quase 16% em janeiro. Ontem, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros da economia em 15% ao ano pela quinta vez consecutiva. A autoridade monetária agiu dentro das expectativas do mercado financeiro, que considerava a manutenção dos juros praticamente certa.
A linguagem mais suave adotada no comunicado desta quarta-feira e a clara sinalização de um corte de juros futuros foram a grande novidade do dia. “O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz o comunicado.
A redução dos juros só é possível porque o BC considera que a estratégia adotada até aqui tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.
Apesar de indicar que o alívio monetário está no horizonte, o Copom deixou claro que cortes seriam feitos com cautela: “O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo”. Nesse sentido, o alto nível de incerteza em relação a fatores econômicos e geopolíticos é olhado com atenção.
Para onde vai a Selic?
Para Cristiano Oliveira, diretor de Pesquisa Econômica do Banco Pine, a decisão e o tom do comunicado foram bastante apropriados. Ele diz que Banco Central sinaliza disposição para reduzir a taxa real de juros de forma gradual e cautelosa, mantendo a política monetária no terreno restritivo. “Com base no comunicado e nos dados econômico, mantemos a expectativa de corte de 0,5 ponto percentual na reunião de março e de Selic em 11,50% ao ano ao fim de 2026”, diz Oliveira.
Para a XP Investimentos, a decisão e a comunicação vieram muito próximas do esperado. Desse modo, a corretora estima que o Copom iniciará o ciclo de flexibilização monetária em março, com uma pausa na segunda metade do ano para reavaliar o cenário.
“Esperamos cinco reduções consecutivas de 0,5 ponto percentual, levando a Selic a 12,50%. Em termos reais, a taxa de juro real ficaria em torno de 8,0%, acima do que consideramos como nível neutro (5,5%), refletindo os desafios fiscais esperados para o próximo mandato presidencial”, dizem Caio Megale, Rodolfo Margato e Alexandre Maluf, que assinam o relatório da XP.
Segundo Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, a confirmação do início de corte de juros é o principal motivo para o otimismo do mercado nesta quinta-feira. A queda da Selic reduz a atratividade da renda fixa deixando os ativos de risco com maiores possibilidades de ganhos. Vale lembrar que o Ibovespa sobe 15,9% em janeiro, enquanto o CDI, principal indexador da renda fixa deve render 1,24%. Com a Selic ficando menor nos próximos meses, essa rentabilidade deve diminuir, o que torna a Bolsa mais atrativa.
Decisão de Fed também mexe com mercados emergentes
Além disso, o fluxo de capital estrangeiro visto ao longo de janeiro continua, principalmente após divergências membros do BC dos EUA, o Federal Reserve. Ontem, o Fed manteve os juros entre 3,5% ao ano e 3,75% ao ano. No comunicado, o Fed explicou que preferiu pausar o corte de juros em meio à aceleração da economia com o desemprego estável e a inflação ainda elevada.
No entanto, os votos de Stephen Miran e Christopher Waller, que sinalizaram a necessidade de um corte de 0,25 ponto percentual, mostraram para os analistas que há a possibilidade de corte de juros nos Estados Unidos ao longo de 2026. Segundo a plataforma FedWatch, da Bolsa de Chicago, 60% do mercado precifica um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de 17 de junho. A maioria dos especialistas estimam uma redução total de 0,5 ponto percentual do juro americano até o fim do ano, com a taxa encerrando 2026 entre 3% e 3,25% ao ano.
Em suma, o Ibovespa sobe um dia após a Superquarta dar indícios de que os investidores devem procurar ativos de riscos para compensarem a queda de juros. Diante desse cenário, atingir os 200 mil pontos fica cada dia mais próximo.






