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Mais e mais petróleo: quem a Brava Energia quer ser até a próxima década

Com nova operação do FPSO Atlanta, companhia vai expandir sua capacidade de produção; 'somos e seremos uma empresa de petróleo', diz presidente da empresa

Por Juliana Machado Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 fev 2025, 17h06 •
  • Perfurar o “imperfurável”. Foi como o presidente da Brava Energia, Décio Oddone, descreveu a operação do FPSO Atlanta, o novo navio de exploração da empresa. A companhia prevê um crescimento importante da sua produção a partir das operações com o FPSO, que faz o processamento, armazenagem e transferência de petróleo. O primeiro marco chegará logo: na estreia do “offloading” – o processo de transferir a commodity produzida em plataformas marítimas para navios-tanque – de petróleo do navio, o volume atingido será de 1 milhão de barris, previstos já para fevereiro.

    “Atlanta é o campo mais pesado e em água mais profunda do mundo (lâmina d’água ultra-profunda), era considerado ‘imperfurável’ e difícil de se explorar”, afirma Oddone, presidente da Brava Energia, em entrevista a VEJA. “Compramos o campo em 2011. Nossos sócios desistiram, tivemos a pandemia, mas seguimos em frente, com 10 milhões de horas trabalhadas, dentro do prazo e do orçamento.”

    A Brava Energia é resultado da fusão entre a 3R Petroleum e a Enauta. Oddone conta que, uma vez que as companhias finalizaram o processo de junção das operações, identificou-se que boa parte da produção estava concentrada em um conjunto relativamente pequeno das concessões. A partir daí, foi dado início a um processo de otimização da empresa, para concentrar esforços nos principais campos e realizar os primeiros passos de desinvestimentos em campo menores.

    “Vamos seguir nesse caminho e avançar na captura de sinergias das duas empresas”, afirma o executivo. Ele também diz que novas aquisições não estão no radar da empresa por ora, já que o foco é “arrumar a casa” e consolidar o que já existe.

    Transição energética

    A opinião de Oddone em relação à transição energética, em que as companhias produtoras de petróleo deverão migrar para outras matrizes de energia mais limpas, é simples: “Somos e continuaremos sendo uma empresa de petróleo e gás.”

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    “O petróleo será necessário durante muito tempo ainda para a humidade e nossa eficiência está em produzir bem e cuidando das emissões e custo”, afirma, destacando que a companhia seguirá priorizando a área em que ela tem vantagem competitiva em relação aos concorrentes, que é atuar na matriz atual.

    “Vamos continuar fornecendo petróleo e gás para a sociedade enquanto a sociedade precisar”, diz. “Não investimos em diversificação de fontes de energia, ainda temos que fazer muita coisa em petróleo e gás antes disso.”

    Setor de petróleo

    Oddone destaca que a Brava se insere em um contexto de preços internacionais porque é uma empresa exportadora de petróleo, com receitas dolarizadas e dívida também em dólar por meio de derivativos. Os impactos sobre a empresa da frente cambial são contábeis (o efeito considera receitas e despesas ainda não realizadas) e faz com que o lucro líquido flutue – sem necessariamente ter efeito financeiro (que efetivamente atinge o caixa).

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    “Mas estamos com uma desalavancagem bem rápida com Atlanta e poderemos pensar em outros planos para a empresa”, afirma.

    Na frente internacional, Oddone cita incertezas com os preços da commodity com a chegada de Donald Trump à presidência dos EUA, com mais volatilidade de preços, que devem oscilar na faixa de US$ 70 a US$ 90 dólares o barril. Para o executivo, essa tendência está dada. “É o que veremos nos próximos tempos.”

    Em relação a possíveis retaliações pelos EUA no setor, o que é incomum, a Brava seria pouco afetada, porque não exporta para o mercado americano. O petróleo explorado pela empresa na Bacia Potiguar é refinado em Rio Grande do Norte e a parte de exportação é destinada a combustível marítimo. O petróleo extraído na Bahia é destinado à refinaria no mesmo estado, enquanto o óleo do campo de Papa-Terra é vendido à Petrobras; o óleo do Parque das Conchas e Atlanta são para combustível marítimo em Singapura.

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    Esgotamento de poços e novas descobertas

    No fim do ano passado, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) afirmou ver riscos para a pesquisa e queda da produção sem novas áreas de exploração de petróleo. Segundo Oddone, o fim desta década e início da próxima é um período crucial para a procura de alternativas onshore (em terra) e offshore (no mar). “Para esgotar as nossas reservas, são necessários 12 anos, é bastante confortável”, diz.

    A situação do Brasil e da Petrobras em especial, segundo o executivo da Brava Energia, é mais complexa em termos estratégicos porque a reposição de reservas da estatal demora mais tempo, assim como a produção. Entre identificar o poço, perfurá-lo, verificar sua viabilidade e operar são de oito a dez anos – de modo que, se não forem localizadas novas reservas nos próximos anos, o desafio será importar petróleo em meados da próxima década, destaca o executivo.

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