Mercados acompanham petróleo e apostas em cortes de juros nos EUA
Na última sexta-feira, o Ibovespa atingiu patamares históricos e durante a manhã desta segunda ainda refletia a continuidade do movimento
O Ibovespa operou em leve alta na manhã desta segunda-feira, 8, refletindo fatores externos e a continuidade do movimento observado na última semana. “Hoje os mercados estão sem muitas notícias econômicas relevantes, mas reagindo ainda ao que vimos na semana passada: os dados de emprego nos Estados Unidos vieram bem abaixo do esperado, o que fez as bolsas subirem muito, já precificando pelo menos três cortes de juros nos EUA neste ano”, disse Ian Lopes, economista da Valor Investimentos. Às 11h, o índice registrava 141.945,94 pontos, enquanto o dólar era negociado em leve alta a 5,43 reais.
Para Lilian Linhares, sócia e head da Rio Negro Family Office, o momento é histórico. “Na última sexta-feira, vimos o Ibovespa atingir patamares históricos, fechando acima de 141 mil pontos. Essa valorização, ela é, em grande parte, impulsionada por fatores globais, né, e reforça também a atratividade do Brasil no radar dos investidores.” Segundo ela, os dados mais fracos do mercado de trabalho nos Estados Unidos resultaram em saída de treasuries, aumento da liquidez internacional e redirecionamento de fluxos para ativos de risco, beneficiando especialmente os emergentes. “Com isso, a gente vê que o país foi um dos principais beneficiados desse movimento. O ingresso de recursos estrangeiros e também domésticos aqui ganhou força, sustentando a alta da nossa bolsa. Isso mostra que o país, ele pode não só se beneficiar no curto prazo desses fluxos, mas também no longo prazo, no caso de um ciclo global de juros mais baixos”, diz
Ela ressalta que esta semana deve ser marcada pela divulgação de dados cruciais. “Investidores, eles devem estar atentos a alguns pontos. Os principais deles, os dados de inflação nos Estados Unidos, que saem essa semana. Além de questões locais, ligadas à política aqui, como o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, o STF.” Ela acrescenta que a alta recente do petróleo também pode sustentar a valorização da bolsa. “A gente acredita que a recente alta do petróleo pode sustentar ainda mais os papéis da Petrobras e dar continuidade a essa valorização da bolsa brasileira. Essa alta, ela se deve a sinalização de um aumento modesto na produção pelo PEC+. De cerca de 137 mil barris por dia, que é uma quantia significativamente menor do que os aumentos mensais anteriores. Essa notícia, assim como outras, reforçam a nossa visão de atenção para a bolsa brasileira que pode ainda superar e atingir patamares ainda maiores nessa próxima semana.”
No cenário doméstico, o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, trouxe revisões para baixo nas projeções do PIB para este e os próximos dois anos, além do câmbio. A expectativa para a inflação de 2025 foi mantida em 4,8%, acima do teto da meta de 4,5% definida pelo Conselho Monetário Nacional. O centro da meta é de 3%, e a convergência segue como principal preocupação do Comitê de Política Monetária do Banco Central, que decide os rumos da Selic, mantida no maior patamar em quase 20 anos.
Nesta quarta-feira, 10, sai o IPCA de agosto, principal termômetro da inflação no Brasil, enquanto na quinta-feira, 11, será divulgado o CPI americano do mesmo mês, indicador que costuma guiar as expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve.
Os fatos que mexem no bolso são o destaque da análise do VEJA Mercado:






