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O alerta do Greenpeace sobre entrada do Brasil na Opep+

A adesão ao grupo de aliados dos produtores de petróleo coloca o papel de liderança climática do Brasil em risco, dizem especialistas

Por Camila Pati Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 fev 2025, 13h21 • Atualizado em 18 fev 2025, 16h06
  • Especialistas do Greenpeace Brasil enxergam na entrada do Brasil na Opep+ um risco para a transição energética e os compromissos assumidos pelo país no Acordo de Paris. Nesta terça-feira 18, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou que o Brasil decidiu aceitar o convite feito há mais de um ano para integrar o grupo de aliados dos países produtores de petróleo. A Opep+ reúne países que não fazem parte da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), mas atuam em conjunto em políticas ligadas ao comércio de petróleo e mediação da relação entre integrantes do grupo dos exploradores de petróleo e países de fora.

    “Retrógrado é uma palavra interessante para definir a entrada na Opep+”, diz Pablo Nava, especialista em transição energética do Greenpeace Brasil a VEJA. Ele afirma que a adesão do Brasil vai na contramão da oportunidade que o país tem de liderar as discussões sobre transição energética mais participativa e justa, por ser anfitrião da Cop30. Segundo ele, há caminhos mais estratégicos para o Brasil fortalecer sua posição internacional sem comprometer a agenda climática. “A Opep visa ao interesse dos produtores de petróleo, de preço que acreditam ser mais justo, mas a questão não é mais essa. Temos que viabilizar um futuro possível para todos, e não tem espaço mais para a exploração de combustíveis fósseis”, diz.

    O Brasil não precisa ingressar na Opep+ para ter sucesso em sua política internacional. Em vez disso, o país poderia aprofundar suas relações com alguns desses países em outros fóruns multilaterais, para ampliar os diferentes caminhos e modelos de transição energética e economia de baixo carbono, alinhados aos compromissos do Acordo de Paris, diz. Insistir em um modelo econômico centrado no petróleo significa olhar para o passado, enquanto o mundo busca novas soluções. “

    “Em ano de COP30 no Brasil, de dez anos do Acordo de Paris e em meio a mais uma onda brutal de calor e recordes sucessivos nas altas de temperatura, o Brasil vai na contramão ao buscar integrar a Opep+”, diz Camila Jardim, especialista em política internacional do Greenpeace Brasil. Ela avalia que a adesão ao grupo coloca o papel de liderança climática do Brasil em risco. “E no mundo atual, essa é uma liderança que precisamos muito”, diz.

    Ela cita o cronograma estipulado pela ciência para conter o avanço do aquecimento global, que determina que 2025 deve ser o ano do pico das emissões de carbono, com uma redução de 43% até 2030. Ao optar por se alinhar a um grupo focado na exploração de combustíveis fósseis, o Brasil pode perder oportunidades estratégicas de crescimento sustentável, avalia. “Enquanto gasta energia em uma empreitada para explorar mais petróleo, o Brasil deixa de direcionar seus investimentos e políticas de Estado ao que de fato pode garantir ao país segurança energética, prosperidade e desenvolvimento sustentável: investimentos massivos em energias limpas e renováveis, que colocariam a economia brasileira em outro patamar nas dinâmicas geopolíticas e econômicas globais.”

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