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O que é o TFFF, o fundo que o Brasil quer criar para preservar a Amazônia

Mecanismo prevê retorno para quem investe e fonte permanente de recursos para países que abrigam florestas tropicais

Por Ricardo Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 nov 2025, 16h09 • Atualizado em 6 nov 2025, 17h36
  • O Fundo para Florestas Tropicais para Sempre, TFFF na sigla em inglês, é uma iniciativa liderada pelo governo brasileiro para criar um fundo específico para preservação do tipo de vegetação que tem maior impacto na contenção do aumento da temperatura na Terra.

    O princípio é criar um dispositivo ancorado no mercado financeiro para bancar os programas de proteção da Amazônia e de outras florestas localizadas entre os trópicos. A ideia ganhou corpo depois da tentativa frustrada de se obter financiamento dos países desenvolvidos na COP29, no Azerbaijão.

    Inicialmente, a expectativa era a disponibilização de recursos vultuosos, da ordem de 1,3 trilhão de dólares por ano, mas os países participantes chegaram a um acordo que prevê repasses de apenas 300 bilhões de dólares, até 2030. O valor, que seria oriundo de fontes públicas, é considerado bem aquém do necessário para implementar ações capazes de reduzir os impactos da intensificação do efeito estufa.

    Diante das dificuldades e da avaliação de que muitas lideranças resistem a priorizar investimentos no exterior (em detrimento aos próprios países), o governo brasileiro passou a estudar modelos alternativos. Chegou, então, a um fundo de investimentos que poderia ao mesmo tempo garantir retornos a quem investe e funcionar como fonte de receita permanente para os países que abrigam florestas tropicais.

    Como o TFFF funciona

    Os países ricos aportariam um capital inicial de 25 bilhões de dólares, com recursos advindos de suas reservas cambiais. Normalmente, esse dinheiro é investido em títulos do tesouro americano, considerado o mais estável e seguro do mundo.

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    Para garantir a atratividade, o TFFF garantiria a mesma taxa de retorno aos países investidores, com a diferença que poderia utilizar os recursos para negociar papéis mais rentáveis disponíveis no mercado. A ideia é chegar a até 125 bilhões de dólares em transações, cinco vezes o investimento base. Todo o excedente obtido seria destinado à preservação das florestas tropicais.

    Lideranças 

    O Brasil é o pai da ideia, mas se uniu a outros países para desenhar o fundo. Entre as mais de 70 nações aptas a receber os recursos, estão a República Democrática do Congo, a Indonésia, Malásia, Colômbia e Gana, que também foram chamadas a colaborar.  Já o grupo de países que aportam recursos está representado por França, Noruega, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Alemanha.

    Condições

    Não basta, contudo, ter vastas áreas de vegetação nativa para se tornar elegível. Antes de o recurso chegar, os países precisam garantir uma série de condições para assegurar que as ações serão verdadeiras e efetivas.

    É preciso que haja, por exemplo, programas prévios de combate ao desmatamento que registrem resultados significativos, estruturas eficazes de monitoramento das florestas e a implementação de conselhos formados por lideranças de povos originários.

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