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Os planos bilionários dos principais parques temáticos do Brasil

Eles se inspiram em Orlando e planejam investimentos de 10 bilhões de reais em expansão e em hospedagem integrada às suas atrações

Por Felipe Erlich Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 fev 2026, 08h00 •
  • Para muitos brasileiros, o padrão ouro da diversão em família é indiscutível: os parques da Disney, na Flórida. Não à toa, Orlando é o destino internacional mais procurado, segundo a Associação Brasileira das Operadoras de Turismo. A fórmula de sucesso consiste em unir um complexo com montanhas-russas, shows e personagens animados a um grande bulevar com lojas e restaurantes, além de hotéis temáticos. Para a grande maioria dos turistas, a experiência não se limita a um dia de passeio, mas a um programa completo de curta temporada. No Brasil, o segmento de parques de diversão tem planos para replicar o modelo, elevando o nível do que atualmente é oferecido no país e nos aproximando — ao menos um pouco — da meca da diversão. Para dar esses passos, são previstos investimentos da ordem de 10 bilhões de reais nos próximos anos.

    arte eco parques

    Os parques temáticos brasileiros faturam 8,4 bilhões de reais e recebem 138 milhões de visitantes por ano, mas há espaço para crescer. O líder em público é o catarinense Beto Carrero World, com 2,7 milhões de visitantes no último ano. A meta do presidente do grupo, Alexandre Murad, é chegar a 5 milhões de frequentadores até 2030. Para isso, 2 bilhões de reais estão sendo mobilizados, incluindo 800 milhões para a construção de três hotéis com 200 apartamentos cada. “As acomodações da nossa região estão no limite e não ter hotéis próprios é frustrante”, diz Murad. O pai de Alexandre, João Batista Murad, ficou nacionalmente conhecido por dar vida ao personagem Beto Carrero — que dá nome ao parque que ele mesmo fundou em 1991, inspirado nas atrações da Disney.

    A ambição de se aproximar do padrão americano também move o Hopi Hari, em Vinhedo, o segundo parque mais frequentado do país, com 1,5 milhão de clientes por ano. O plano consiste em investir quase 300 milhões de reais na primeira fase de expansão do local no interior de São Paulo e até 5 bilhões de reais nas etapas seguintes, com hotéis e um bulevar comercial integrados ao parque. “Vamos ser o maior empreendimento turístico do Brasil”, diz o responsável pela estratégia, Nuno Vasconcellos. Ele espera o aval da prefeitura de Vinhedo para começar a construir os hotéis.

    arte eco parques

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    O investimento vai marcar um giro de 180 graus na história do Hopi Hari. O parque entrou em recuperação judicial em 2016, após anos de desequilíbrio financeiro e de ter a imagem arranhada por acidentes. Dois anos depois, o negócio foi adquirido pelo grupo americano Brooklyn International, especializado em recuperar empresas. A dívida foi reduzida de 1,4 bilhão de reais para 600 milhões de reais após negociações com credores. O grupo investiu mais de 100 milhões de reais no complexo de lazer desde a aquisição. Vizinho do Hopi Hari, o parque aquático Wet’n Wild também estuda uma expansão. O empreendimento do empresário brasileiro Alain Baldacci avalia investir 500 milhões de reais até 2030, incluindo a inauguração de um hotel próprio. O projeto, ao estilo dos resorts de praia, prevê uma área construída de 37 000 metros quadrados e 330 apartamentos.

    A aposta em hospedagem própria é uma forma de atrair pessoas de outros estados, que hoje representam apenas 22% do público do segmento. Isso explica por que a parcela de parques que oferecem acomodações subiu no setor de 17,5% para 25,7% no ano passado. É o caso do Hot Beach, em Olímpia, no interior paulista, que já tem quatro resorts integrados ou na proximidade do parque aquático de águas termais — um quinto hotel do grupo está em construção. “Quem não tem hotel deveria começar a construir”, diz Alexandre Costa, proprietário e presidente da marca de chocolates Cacau Show.

    EXPANSÃO - Atração do Beto Carrero World: público de renda elevada é o alvo
    EXPANSÃO - Atração do Beto Carrero World: público de renda elevada é o alvo (Rodrigo Ormond/.)
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    Costa entrou no setor de entretenimento ao anunciar a inauguração de seu próprio parque, prevista para dezembro de 2027. O Cacau Park vai oferecer em Itu, também no interior paulista, atrações equivalentes às que se encontram em Orlando, segundo o empresário. “Será muito mais barato e simples ir ao Cacau Park do que à Disney”, afirma. A expectativa é que 3 milhões de pessoas frequentem o parque já em seu primeiro ano. O potencial é para atender até 6 milhões de visitantes futuramente. Costa acaba de comprar mais terreno para o empreendimento por 500 milhões de reais, elevando o investimento total para 2,5 bilhões de reais.

    Hoje, a maioria dos frequentadores de parques temáticos no Brasil pertence às classes B e C, com renda domiciliar de 2 900 a 22 000 reais, segundo o Sistema Integrado de Parques e Atrações Turísticas. Os novos projetos miram principalmente o público de renda mais alta, que costuma viajar para o exterior. O desafio será convencer esses clientes de que a melhor diversão está em ficar por aqui mesmo. Investimentos em novas atrações não faltam para tentar cativa essa turma.

    Publicado em VEJA de 20 de fevereiro de 2026, edição nº 2983

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