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Casa dos Ventos e Vestas anunciam parque eólico de R$ 5 bilhões no Piauí e sinalizam retomada do setor

Segundo estimativas do setor, o empreendimento poderá gerar energia suficiente para abastecer cerca de 2 milhões de residências

Por Ernesto Neves 17 dez 2025, 10h17 • Atualizado em 17 dez 2025, 11h18
  • Após quase três anos sem novos projetos de grande porte, o setor eólico brasileiro voltou a registrar um investimento de escala. A desenvolvedora Casa dos Ventos e a fabricante dinamarquesa Vestas anunciaram nesta terça-feira (17) uma parceria para a implantação do complexo eólico Dom Inocêncio, no centro-sul do Piauí, com capacidade instalada de 828 megawatts (MW) e investimento estimado em mais de R$ 5 bilhões.

    O empreendimento será instalado entre os municípios de Dom Inocêncio, Lagoa do Barro e Queimada Nova e contará com 184 aerogeradores do modelo V150, de 4,5 MW cada. As obras devem começar em 2026, com entrada em operação prevista para 2028.

    Além do fornecimento das turbinas, a Vestas será responsável pela execução do projeto e pelos serviços de operação e manutenção por 25 anos. As empresas mantêm relação comercial há mais de oito anos e já desenvolveram projetos conjuntos no país.

    O anúncio é visto no mercado como o primeiro grande contrato de fornecimento de aerogeradores firmado no Brasil desde 2023, período marcado por retração de investimentos, queda nos preços da energia e incertezas regulatórias.

    Setor enfrenta excesso de oferta e ajuste de preços

    Após um ciclo de crescimento acelerado impulsionado por leilões públicos e contratos de longo prazo, a indústria eólica entrou em fase de ajuste. O país encerrou 2024 com cerca de 30 gigawatts (GW) de capacidade eólica instalada, segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), mas a contratação de novos projetos desacelerou diante do excesso de oferta no sistema elétrico e da menor demanda por energia no mercado livre.

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    Empresas do setor também enfrentaram dificuldades relacionadas ao financiamento de longo prazo, gargalos na transmissão e aumento de custos de equipamentos, especialmente após a pandemia e a volatilidade cambial.

    Nesse contexto, o projeto Dom Inocêncio sinaliza uma retomada gradual da contratação em escala, ancorada em desenvolvedores com portfólio robusto e acesso a capital, além de fornecedores com presença industrial consolidada no país.

    Piauí consolida posição no mapa eólico

    O complexo será instalado em uma das regiões mais promissoras do país para geração eólica. O Piauí ocupa atualmente a terceira posição no ranking nacional de capacidade instalada, impulsionado por áreas com ventos constantes e elevada velocidade média, superiores a 12 metros por segundo em pontos estratégicos.

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    Segundo estimativas do setor, o empreendimento poderá gerar energia suficiente para abastecer cerca de 2 milhões de residências e criar mais de 8,5 mil empregos diretos e indiretos ao longo das fases de implantação e operação.

    O estado tem atraído projetos de geração renovável como parte de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento econômico, apoiada na expansão da infraestrutura de transmissão e na atração de investimentos privados.

    Renováveis seguem como pilar da matriz

    O investimento ocorre em um momento em que as fontes renováveis ampliam sua participação na matriz elétrica brasileira, que já é uma das mais limpas do mundo. Mais de 85% da eletricidade gerada no país provém de fontes renováveis, com destaque para hidrelétricas, eólicas e solares.

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    A energia eólica responde hoje por cerca de 14% da capacidade instalada nacional e tem papel relevante na redução da exposição do sistema a períodos de estiagem e na diversificação das fontes de geração.

    Analistas do setor apontam, no entanto, que a expansão futura dependerá de avanços regulatórios, maior previsibilidade contratual, investimentos em transmissão e da criação de novos mercados consumidores, como data centers, hidrogênio verde e eletrificação industrial.

    Estratégia das empresas

    A Casa dos Ventos possui, em conjunto com empresas do grupo, um portfólio de aproximadamente 33,4 GW em projetos eólicos e solares no país, em diferentes estágios de desenvolvimento. A companhia mantém uma joint venture com a francesa TotalEnergies, que atua como seu veículo exclusivo de renováveis no Brasil.

    A Vestas, por sua vez, opera no país desde os anos 1990 e mantém uma fábrica de componentes eólicos no Ceará. A empresa acumula mais de 12 GW em contratos de operação e manutenção no Brasil e é a principal fornecedora de aerogeradores do mercado nacional.

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