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O que significa a desaceleração do PIB dos EUA no quarto trimestre

Analistas apontam impacto do shutdown e do déficit comercial no resultado, mas veem resiliência do consumo e alertam para inflação persistente

Por Carolina Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 fev 2026, 11h44 • Atualizado em 20 fev 2026, 12h02
  • O Bureau of Economic Analysis (BEA) divulgou nesta sexta-feira (20) que o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos cresceu 1,4% no quarto trimestre de 2025, resultado abaixo das expectativas do mercado e significativamente inferior ao avanço de 4,4% registrado no terceiro trimestre.

    Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, o número veio fraco na comparação com o trimestre anterior, mas não necessariamente indica uma deterioração estrutural da economia. “Esse PIB mais fraco tem uma boa explicação e, qualitativamente, ele tem pontos positivos. Houve praticamente um colapso dos gastos federais por causa do shutdown, mas o investimento privado doméstico aumentou 3,8% e o consumo também mostrou crescimento”, afirma.

    Na visão do estrategista, a forte queda dos gastos públicos, especialmente no âmbito federal, ajudou a puxar o dado para baixo, mas a resiliência do consumo e do investimento privado ameniza parte da leitura negativa.

    Já para Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, o resultado também precisa ser analisado à luz de fatores extraordinários que afetaram o período. “O crescimento de 1,4% ficou bem abaixo das projeções, mas é importante contextualizar. O déficit comercial atingiu o maior nível em cinco meses e a paralisação do governo retirou cerca de 1,5 ponto percentual do PIB, segundo estimativas do CBO. Parte dessa perda deve ser recuperada nos próximos trimestres”, avalia.

    Nickolas ressalta, porém, que o ambiente segue desafiador para o Federal Reserve, especialmente diante dos dados de inflação. “O núcleo do PCE voltou a acelerar e permanece acima da meta de 2%, o que limita o espaço para cortes de juros no curto prazo. Ao mesmo tempo, já há sinais de moderação no consumo das famílias, refletindo o impacto do crédito mais caro”, acrescenta.

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