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Pibinho do 2º tri, já esperado, mostra dependência do agro e dos gastos públicos

Se o avanço no PIB se dá sem aumento nos investimentos e sem ganhos de produtividade, não há como suprir a demanda no longo prazo

Por Diogo Schelp Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 set 2025, 14h37 • Atualizado em 2 set 2025, 15h10
  • O avanço de 0,4% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no segundo trimestre deste ano, em comparação com os três meses anteriores, foi um pouco maior do estimavam os analistas do mercado, mas confirmou a tendência de desaceleração da economia. Afinal, o resultado ficou abaixo da média dos quatro trimestres anteriores. Há quem lamente essa pisada no freio, mas considerando o que impulsionou o crescimento até agora, fato é que, se o dado viesse mais alto, teríamos que lidar com uma pressão inflacionária ainda maior e juros altos por mais tempo para segurá-la.

    Isso tudo porque, como muitos economistas não se cansam de lembrar, os fatores que alavancam o crescimento do PIB do país não são sustentáveis. Em primeiro lugar, o dado trimestral confirma a dependência no agro como motor do setor produtivo. Foi ele, com sua supersafra, que deu tração ao crescimento de 1,3% registrado no primeiro trimestre. Por questões sazonais já previstas, variou negativamente nos três meses seguintes. Sem a alavancagem do agro, o PIB avança pouco, com serviços e indústria puxando o barco com esforço.

    Em segundo lugar, fica evidente que o crescimento perseguido pelo governo federal é baseado em demanda forte, em boa medida apoiada por gastos públicos robustos, ao custo do contínuo endividamento do Estado. “O consumo das famílias continua resiliente, o que pode ser explicado pelo crescimento na renda real da população, visto o mercado de trabalho aquecido, e a continuidade do crescimento de benefícios sociais do governo”, avaliou Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmart XP.

    Eis um dos pontos de desequilíbrio nos indicadores econômicos: mesmo com o PIB em desaceleração, o nível de emprego continua aumentando. A parcela da população que se garante com os programas sociais é parte da explicação. De fato, o consumo das famílias cresceu menos do que no trimestre anterior (0,5% frente ao 1% no início do ano). O consumo do governo, por sua vez, foi negativo em 0,6%, em comparação com a estabilidade do primeiro trimestre.

    Um dos sinais contundentes de que o crescimento brasileiro não é sustentável é a queda de 2,2% nos investimentos no trimestre, impactados pelos juros persistentemente altos e pela preocupação com o ajuste fiscal capenga. Se o avanço no PIB se dá apenas pelo lado do estímulo ao consumo, sem aumento nos investimentos privados e sem ganhos de produtividade, não há como suprir a demanda no longo prazo.

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    Produtividade significa produzir mais com menos. O Brasil está entre os piores países emergentes do mundo nesse quesito. A produtividade dos trabalhadores brasileiros permaneceu praticamente estagnada nos últimos cinco anos. Momentos de alta nesse indicador, como aconteceu no primeiro trimestre deste ano, não são suficientes para compensar o atraso e dar sustentação ao crescimento da economia baseado no alto consumo.

    O problema, portanto, não é o pibinho já previsto no segundo trimestre deste ano — mas o modelo de crescimento promovido até aqui, e que não aponta para um bom futuro.

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