ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Por que a renda fixa seguirá soberana em 2026

Os títulos públicos como o Tesouro IPCA+ e o Tesouro Selic, serão indispensáveis para que as carteiras não sofram com a volatilidade eleitoral

Por Juliana Elias Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 dez 2025, 06h00 •
  • Embora não seja possível saber a data, uma coisa é certa em 2026: a taxa básica de juros do Brasil, a Selic, finalmente deve voltar a cair. A mudança de direção, contudo, ainda não será suficiente para trazer os juros para o patamar de um dígito, considerado um nível razoável para estimular os investimentos produtivos e, por tabela, a própria economia. Por isso, a renda fixa terá mais um ano firme de reinado pela frente. “Mesmo que a Selic caia para 11% ao ano, o juro médio ainda será de 13%”, afirma Marco Antonio Mecchi, diretor de investimentos da gestora Azimut Brasil Wealth Management. “Isso significa que a renda fixa continuará rendendo 1% ao mês, o retorno de que o brasileiro tanto gosta.” Os 11% aventados por Mecchi são apenas um exemplo. Segundo o Boletim Focus do Banco Central, que retrata as projeções do mercado, a Selic deve encerrar o ano em 12,25%.

    Desde a pandemia de covid-19, a taxa passou por dois grandes ciclos de alta, intercalados por momentos de estabilidade e por alguns meses de cortes. O primeiro ciclo começou em março de 2021, quando o Banco Central (BC), então comandado por Roberto Campos Neto, elevou a taxa de 2% para 2,75% ao ano. A trajetória ascendente culminou em uma taxa de 13,75% em agosto de 2022. O juro permaneceu nesse patamar por um ano, quando o BC afrouxou a política monetária, baixando a taxa até 10,50%, em maio de 2024, e mantendo-a assim até setembro daquele ano. A política fiscal expansionista adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu terceiro mandato, que contribui para elevar a inflação e, portanto, dificulta o trabalho do atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, de fazê-la convergir para a meta de 3%, levou a uma nova rodada de altas, que conduziram o juro a 15% em junho de 2025, nível em que estacionou desde então.

    arte títulos públicos

    Diante dessa escalada, não foi raro ver em 2025 corretoras e gestoras deixando até 90% das carteiras dos clientes na renda fixa, capitaneada pelos títulos públicos, sua opção mais segura e tradicional. A expectativa de que os juros comecem a cair em 2026 deve mudar pouco esse perfil de alocação, não só porque os juros ainda continuarão generosos, mas porque a eleição presidencial causará inevitáveis solavancos no mercado. “Será um ano de muita volatilidade, e é bom o investidor reduzir a incerteza antes de voltar para os ativos de maior risco”, diz Pedro Padilha, chefe de alocação da corretora Genial Investimentos. Por isso, em vez de abandonar a renda fixa, os gestores preferem apenas rever algumas recomendações dentro dessa classe de ativos.

    Para quem aceita um pouco mais de risco, a indicação é engordar a carteira com títulos prefixados. O retorno deles no Tesouro Direto está atualmente na faixa dos 13% ao ano. A vantagem é que o papel “trava” essa remuneração por todo o período em que o investidor o mantiver na carteira, mesmo que os juros venham a cair depois. “Essa será provavelmente a taxa máxima de retorno, o que significa que a janela para pegar o melhor momento da renda fixa é agora”, diz Vitor Piazzi, analista da corretora CM Capital. “Logo essa janela se fechará” , afirma, referindo-se ao início dos cortes de juros promovidos pelo BC. Quem não lida bem com volatilidade, porém, pode se sentir desconfortável com essa opção. Isso porque os prefixados sofrem a chamada marcação a mercado: o valor aplicado sobe e desce, conforme os juros do mercado flutuam. O rendimento contratado só é garantido para quem mantiver esses papéis na carteira até o vencimento. Por isso, para os investidores que não desejam se angustiar com a marcação a mercado, os títulos pós-fixados e atrelados à inflação, mais flexíveis, são os mais indicados.

    Continua após a publicidade

    Nesse sentido, o Tesouro IPCA+ é uma boa pedida. O papel paga a inflação mais uma taxa fixa de juros que está hoje na casa dos 7% — e nada indica que mudará no curto prazo. “É um retorno extremamente elevado para os padrões históricos”, diz Marilia Fontes, sócia da casa de análises Nord Investimentos. “O investidor mais conservador pode tirar um pouco de capital da bolsa, que já rendeu bastante, para aplicar nesses títulos.” Além disso, outro pós-fixado, o Tesouro Selic, segue cumprindo o papel de ser o principal colchão das carteiras, respondendo por metade do dinheiro alocado na renda fixa. Como o nome indica, o papel rende a Selic. É o único que pode ser resgatado a qualquer momento sem risco de perdas e ainda dará retornos invejáveis por um bom tempo. “Ele deveria ser a reserva de emergência da pessoa, mas a rentabilidade é tão alta que se tornou o núcleo duro das carteiras”, diz Padilha, da Genial. Seja para quem quer segurança ou para quem busca bons ganhos, a renda fixa continuará a ser um refúgio indispensável em 2026.

    Publicado em VEJA, dezembro de 2025, edição VEJA Negócios nº 21

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA RELÂMPAGO

    Digital Completo

    O mercado não espera — e você também não pode!
    Com a Veja Negócios Digital , você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    OFERTA RELÂMPAGO

    Revista em Casa + Digital Completo

    Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.