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‘Prévia do PIB’: como o mercado reagiu e o impacto nos juros

Leitura dos economistas indica que o avanço da economia em novembro afasta qualquer possibilidade de corte de juros na próxima reunião sobre juros

Por Camila Pati Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 jan 2026, 11h50 • Atualizado em 16 jan 2026, 11h53
  • O avanço de 0,7% do IBC-Br em novembro,  acima do esperado pelo mercado, indica que economia brasileira segue mais aquecida do que o consenso vinha indicando. Economistas afirmam que a divulgação do índice reduziu, ainda mais, o espaço para um corte de juros já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária, marcada para o fim do mês.

    Para Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, o dado enfraquece o argumento de desaceleração da economia. ” O IBC-Br corrobora nossa visão de cortes apenas em março. Corte já em janeiro nos parece precipitado dada a incerteza do comportamento da atividade econômica , que apresentou bom desempenho em novembro, e a resiliência do mercado de trabalho”, diz. Ela aposta que o comunicado que o comitê divulgará após a reunião deixe clara a necessidade de dados para decisões futuras, sem dar indicação do início do ciclo de cortes. A economista mantém a projeção de alta de 0,1% do PIB no quarto trimestre e crescimento de 2,3% em 2025.

    Gustavo Trotta, sócio da Valor Investimentos,  também diz que o resultado veio mais que o dobro da expectativa do mercado, o que reforça o diagnóstico de uma economia mais aquecida  do esperado. Ele enxerga impacto na decisão sobre juros e diz que vai influenciar o debate do timing do início do ciclo de corte. “É um dado super importante. Sem dúvida, isso vai trazer para a decisão do Copom na próxima reunião algum tópico sobre essa necessidade do corte: será que precisa ser mesmo feito agora ou vamos adiar isso para abril”, diz, lembrando que o efeito do aquecimento da economia sobre a inflação dos serviços, que lidera altas dos preços em 2025.

    Diferença de resultados

    André Valério , economista sênior do banco Inter, chama atenção para a divergência entre o IBC-Br e os indicadores do IBGE. “O resultado destoou dos dados divulgados pelo IBGE nesta semana, que apontaram estabilidade da indústria e recuo de 0,1% dos serviços no mês. Pelo IBC-Br, no entanto, esses setores avançaram 0,8% e 0,6%, respectivamente”, diz.

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    Ele indica que a análise pela média móvel trimestral é mais adequada e essa métrica também aponta alta da atividade econômica, diz. Em novembro, a média móvel trimestral indicou crescimento de 0,2%, mantendo uma trajetória de aceleração pelo quarto mês consecutivo. O indicador saiu de um recuo de 1,05% em agosto para uma alta de 0,2% em novembro.

    “Esse resultado, em conjunto com o dado de inflação divulgado na semana passada, praticamente elimina a possibilidade de um corte da Selic em janeiro. Ainda assim, acreditamos que as condições para o início da flexibilização da política monetária estão dadas, o que deve ocorrer a partir da reunião de março”, diz.

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