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Previsão do mercado chegou perto do PIB em apenas seis dos últimos 13 anos

Taxa de acerto dos economistas é de 46%, menos do que jogar cara ou coroa com uma moeda. Excesso de otimismo ou de pessimismo e ações do governo influenciam

Por Márcio Juliboni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 7 mar 2025, 10h36 - Publicado em 6 mar 2025, 13h21

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de 2024 na manhã desta sexta-feira, 7, com avanço de 3,4%. O resultado é bem acima que o 1,59% divulgado pelo primeiro Focus do ano passado. Mas, afinal, quanto o mercado realmente acerta suas projeções?

Um levantamento de VEJA, comparando as previsões do Focus e os dados do PIB apurados pelos IBGE, mostra que, ao longo de 13 anos (entre 2011 e 2023), as projeções do mercado chegaram perto do resultado real em apenas seis ocasiões: 2011, 2012, 2016, 2018, 2019 e 2021. Trata-se de uma taxa de acerto de 46% – menos que os 50% de se jogar cara ou coroa com uma moeda.

É claro que não se espera que os economistas sejam capazes de cravar o resultado com uma precisão de casas decimais. Por isso, o levantamento considerou alguns parâmetros. O primeiro foi estabelecer uma margem de erro de 0,5 ponto percentual para mais ou para menos sobre o PIB apurado pelo IBGE. Além disso, mesmo os melhores economistas não conseguem prever todos os fatores que influenciarão o PIB em determinado ano. À medida que os meses avançam, o cenário fica mais claro, com dados sobre a atividade econômica, o cenário internacional e as ações do governo.

Assim, o levantamento considerou a precisão das previsões, segundo o primeiro relatório Focus de julho de cada ano. Com isso, o índice de “acerto” subiu consideravelmente, já que, quando se avaliam os primeiros boletins de janeiro, as projeções ficaram dentro da margem de erro em apenas duas ocasiões: 2013 e 2016.

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O ano de 2013, aliás, é um bom exemplo de como os agentes financeiros consultados pelo BC se comportam ao longo da maioria dos anos. No primeiro Focus de 2013, o mercado estimava um crescimento de 3,26% do PIB naquele ano. No início de julho, os participantes da sondagem estavam mais pessimistas e projetavam uma expansão de 2,34%. O resultado real apurado pelo IBGE foi uma alta de 3% naquele ano. Como a margem de erro de 0,5 ponto, a estimativa de janeiro estava mais perto do resultado que a do meio do ano.

O que 2013 exemplifica é o viés de otimismo do mercado no início de cada ano. Em oito dos treze anos pesquisados por VEJA, as projeções no primeiro Focus de janeiro eram mais otimistas que o resultado real do PIB divulgado posteriormente pelo IBGE. Isso representa 62% do período avaliado. Em outros cinco anos, o pessimismo prevaleceu no começo do ano.

A mudança de tom no meio de 2013, passando do otimismo de janeiro para projeções mais pessimistas em julho, também é outro movimento frequente. Nos treze anos avaliados, o primeiro Focus de julho mostrou projeções mais pessimistas para o PIB do que o resultado real em nove ocasiões – o equivalente a 69% do período. Essa inversão é compreensível: à medida que o ano avança, as suposições otimistas dos agentes financeiros começam a se frustrar por diversos fatores, que vão do mau desempenho do governo na condução da economia à deterioração do cenário internacional. Assim, o viés em meados do ano costuma ser negativo, e isso é captado pelo Focus.

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A diferença entre o pessimismo de julho e o resultado final geralmente melhor do PIB contém também elementos difíceis de prever, mas há um fator mais óbvio: o desejo do governo – qualquer governo – de lançar medidas capazes de salvar o ano e manter um mínimo de popularidade.

Um exemplo foi o ano de 2017. Em janeiro, o Focus apontava uma alta pífia de 0,5% do PIB. A estimativa caiu ainda mais em julho: 0,34%. No fim, a economia cresceu 1,3%. A principal alavanca foi a liberação do saque do saldo de contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Anunciada pelo então presidente Michel Temer no fim do ano anterior, sua operacionalização demorou e os efeitos mais concretos foram sentidos no segundo semestre daquele ano. No total, 44 bilhões de reais foram injetados na economia, beneficiando quase 26 milhões de trabalhadores.

Em 2022, o Focus de janeiro projetava um crescimento pífio de 0,28%. Receoso de que o mau desempenho da economia atrapalhasse seu plano de se reeleger, o então presidente Jair Bolsonaro anunciou, em março daquele ano, um pacote social que pretendia injetar 165 bilhões de reais no bolso dos brasileiros. Entre as ações, estavam a antecipação do 13º salário dos aposentados e pensionistas do INSS, e a liberação de saques de contas do FGTS.

Com mais dinheiro circulando, os agentes financeiros elevaram a projeção do PIB de 2022 para 1,51% no início do segundo semestre daquele ano. O resultado final, contudo, ficou bem acima: 3%. O fator que contribuiu para a arrancada foi a decisão de Bolsonaro, em junho, de elevar o Auxílio Brasil (a versão bolsonarista do Bolsa Família) de 400 reais para 600 reais por beneficiário.

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