Qual a importância do mercado brasileiro para a BYD? Executivo responde
Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da empresa do país, fala sobre investimento e estratégia de nacionalização da produção
Qual é o peso do Brasil no plano global da BYD? O Brasil é o segundo maior mercado da BYD no mundo e o principal fora da China. É o principal pilar da estratégia de internacionalização da empresa e será o país que receberá o maior volume de investimentos globais da BYD fora do mercado chinês.
Em que estágio está hoje a produção local na fábrica? O regime de produção de toda a indústria automobilística é, por natureza, transitório. Praticamente todas as montadoras iniciam suas operações no modelo de montagem, o chamado CKD/SKD, para depois avançar nas etapas de industrialização. Hoje, a BYD opera nesse regime em Camaçari. Ao mesmo tempo, já estamos investindo na ampliação da planta, com obras de construção civil para os prédios de pintura, soldagem e demais áreas industriais.
Quando a fábrica passará a ser considerada, de fato, uma operação de produção local? O nosso compromisso é ultrapassar a fase de SKD (sigla de Semi Knocked Down, semidesmontado) até julho de 2027. A partir desse momento, entramos no regime de produção local, que é reconhecido quando se atinge, no mínimo, 50% de conteúdo nacional. O percentual tende a crescer ao longo do tempo, à medida que fornecedores se qualificam e novos parceiros industriais se instalam no complexo de Camaçari.
Além de atender ao mercado interno, a fábrica no Brasil também nasce com vocação exportadora? Sim, existe um planejamento claro para exportação. Os países do Mercosul acompanham esse movimento com grande expectativa. A BYD na Argentina aguarda ansiosamente, assim como outros mercados da região. O Uruguai, por exemplo, tem apresentado um desempenho muito positivo da marca nos últimos meses.
Produzir no Brasil ajuda a reduzir o preço dos veículos? Sim, e os números comprovam isso. Antes da produção local, o Dolphin Mini era vendido por 122 990 reais. Com a fabricação em Camaçari, passamos a oferecer o modelo para taxistas e pessoas com deficiência a partir de 98 990 reais, e o preço para o público em geral caiu para 119 990 reais. É uma redução relevante. O mesmo aconteceu com outros modelos.
Em quais aspectos o mercado brasileiro se diferencia de outros? O mercado automobilístico brasileiro é um dos mais desafiadores do mundo. O consumidor é conservador, muito bem informado e extremamente exigente. Não é simples introduzir uma nova marca no país. A BYD teve um papel importante ao romper o estigma de que o carro chinês é sinônimo de baixa qualidade.
Qual é a importância da tecnologia para a BYD? A BYD é hoje a maior empresa do mundo em pesquisa e desenvolvimento no setor. Temos mais de 120 000 engenheiros em nosso quadro global. Não existe nenhuma outra montadora, em nenhum país, com um contingente sequer próximo disso.
A indústria automotiva brasileira encolheu nos últimos anos, com a saída de montadoras tradicionais. Como a BYD enxerga esse cenário? Esse fenômeno não é exclusivo do Brasil. Ele está ligado a uma mudança estrutural da indústria automotiva global. Marcas tradicionais que reduziram investimentos em inovação e tecnologia começaram a perder competitividade. Isso já aconteceu de forma muito clara na China: o consumidor chinês passou a preferir marcas nacionais porque elas investiram mais, inovaram mais e entregam produtos superiores.
Publicado em VEJA, janeiro de 2026, edição VEJA Negócios nº 22






