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Quatro em cada dez brasileiros estão na informalidade

Pesquisa PNAD mostra que em alguns estados como no Maranhão a informalidade chega a 58,7%

Por Veruska Costa Donato 20 fev 2026, 15h19 •
  • A informalidade voltou a dar as caras com força na PNAD Contínua divulgada hoje: 38,1% dos ocupados em 2025 estão fora da carteira assinada. Em bom português, quase quatro em cada dez brasileiros trabalham sem CLT. O número ajuda a explicar por que o discurso de “pleno emprego” soa, no mínimo, otimista demais. Emprego existe — mas boa parte dele é precário, instável e sem proteção.

    Rombo

    O problema vai além do mercado de trabalho e entra direto nas contas públicas. Bruno Andrade, repórter de finanças da Veja Negócios, chama atenção para o efeito imediato: menos gente contribuindo para o INSS significa menos dinheiro entrando para pagar aposentadorias e benefícios. E vale lembrar que a Previdência já consome quase 50% das despesas obrigatórias do governo. “Isso pode aumentar também a questão do próprio rombo fiscal”, alerta. Traduzindo: o governo tenta equilibrar as contas, mas a base de arrecadação encolhe quando quase 40% da força de trabalho não contribui.

    Do ponto de vista do trabalhador, o custo é silencioso — e alto. Sem contribuição regular, ele perde acesso a benefícios como auxílio-doença e auxílio-maternidade. No futuro, pode acabar dependendo do Benefício de Prestação Continuada, que é assistencial e bancado pelo Tesouro, sem contribuição prévia. Ou seja, a conta volta para o orçamento público.

    Formalizar é caro

    Para o economista e CEO da Corano Capital, Bruno Corano, o Brasil convive historicamente com esse problema porque formalizar é caro demais. “Incorporar um funcionário legalmente é muito oneroso”, afirma, citando a carga tributária elevada tanto para empregadores quanto para empregados. Ele também aponta o avanço dos aplicativos de transporte e entrega como fator que impulsiona esse modelo mais flexível — e menos protegido.

    Problema estrutural

    Há ainda uma distorção nos indicadores. Corano argumenta que a metodologia considera ocupadas pessoas que, na prática, estariam subempregadas. Isso ajuda a derrubar a taxa de desemprego, que está em mínimas históricas em vários estados, mas mascara a fragilidade do mercado. Em unidades como Maranhão, Pará e Bahia, a informalidade supera 50% — um sinal de que o problema é estrutural e regionalizado.

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    Pressão fiscal

    No fim das contas, a informalidade é um daqueles números que parecem técnicos, mas contam uma história simples: o Brasil trabalha muito, mas contribui pouco para sustentar o próprio sistema de proteção social. E, sem enfrentar o custo da formalização e a complexidade tributária, o país seguirá enxugando gelo — comemorando emprego de um lado e acumulando pressão fiscal do outro.

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