Quem paga a conta do fim da escala 6×1?
Economistas defendem um amplo estudo sobre os impactos da mudança na economia
Por Veruska Costa Donato 3 fev 2026, 13h50 • Atualizado em 3 fev 2026, 13h51-
O debate sobre o fim da escala 6×1 ganha força no Congresso, com 72% de apoio popular e defesa do governo Lula por mais qualidade de vida. A questão central, porém, é quem arca com os custos da mudança, gerando um embate entre argumentos sociais e a preocupação com o impacto econômico e a produtividade do país.
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O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou o centro do palco no Congresso e fora dele. Com apoio de 72% da população, segundo pesquisa Genial/Quaest, a proposta mexe com um sentimento legítimo: a exaustão de quem trabalha seis dias para descansar apenas um. O governo, liderado pelo presidente Lula, sustenta que tempo também é riqueza e defende a mudança sem redução salarial, como forma de garantir descanso, convívio familiar e saúde mental. A pergunta que começa a rondar o debate é simples — e incômoda: quem paga essa conta?
Pauta popular
Para Daniel Telles (Valor investimentos), o tema ganhou tração não por acaso. “Estamos em ano eleitoral, isso pesa muito no campo das opiniões e da ideologia, porque você atinge uma massa enorme de eleitores”, afirma. Segundo ele, a discussão existe desde 2025, mas a proximidade das eleições de 2026 elevou o senso de urgência. O resultado é um embate prolongado entre o setor produtivo, preocupado com custos e competitividade, e os argumentos sociais, que falam em dignidade e justiça.
‘Faltam estudos’
O professor Ricardo Rocha (Insper) adota um tom mais crítico e técnico. Para ele, falta base concreta para avançar. “Não foi feito um estudo econômico para dizer qual é o impacto dessa mudança. Alguém vai pagar”, alerta. Na visão do economista, esse custo tende a aparecer nos preços. “A sociedade como um todo vai pagar produtos e serviços mais caros”, diz, citando o risco de aceleração da automação, como a troca de porteiros e zeladores por sistemas eletrônicos em cidades cada vez mais verticalizadas.
Exemplo da Coreia
Já Thiago Calestine (Dom investimentos) amplia o olhar e traz a produtividade para o centro da conversa. Ele lembra que Brasil e Coreia do Sul tinham níveis semelhantes nos anos 1980, mas seguiram caminhos opostos. “A gente já não é um país muito produtivo e vai trabalhar menos. O que a gente vai gerar? Menos riqueza”, afirma. Para ele, o problema se agrava com o envelhecimento da população: “Estamos ficando velhos antes de ficar ricos”, o que pressiona poupança, investimento e contas públicas.
No meio desse cabo de guerra, o Congresso tenta buscar um discurso de equilíbrio. O presidente da Câmara, Hugo Motta, defende um debate “responsável”, ouvindo trabalhadores e empregadores. A escala 6×1, ao que tudo indica, vai muito além da jornada de trabalho: ela expõe as fragilidades de um país que quer mais qualidade de vida, mas ainda patina em produtividade — e que precisa decidir, com clareza, como dividir essa conta.
Bola Quadrada
Algo não encaixa no Flamengo, e Paquetá está no centro dissoNo corte do Bola Quadrada, o debate esquenta em torno do Flamengo. Fernanda Arantes comanda a conversa com Amauri Segalla e Alessandro Giannini, além do convidado especial Simoninha. Em pauta, a atuação rubro-negra nos últimos jogos, a sensação de “salto alto”, a falta de fome em campo e a ideia de que o Flamengo é tratado como um supertime muito acima da realidade. O programa discute ainda o impacto da chegada de Paquetá, as expectativas da torcida, a comparação com o futebol europeu e os desafios de foco e desgaste da temporada brasileira. Uma conversa franca, crítica e sem idolatria, do jeito que o torcedor gosta.






