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Recuperação extrajudicial da Raízen coloca credores e governança sob teste

Reestruturação financeira reacende debate sobre o uso do mecanismo extrajudicial para renegociação de grandes dívidas no país

Por Carolina Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 mar 2026, 10h35 | Atualizado em 11 mar 2026, 14h09

A Raízen protocolou nesta quarta-feira (11) o pedido de homologação de um plano de recuperação extrajudicial voltado à reorganização de parte de suas obrigações financeiras junto a credores.

Segundo nota divulgada a imprensa, a proposta foi construída em diálogo com os credores e busca estabelecer um ambiente jurídico adequado para negociar ajustes em determinadas obrigações financeiras, dentro da estratégia de otimização da estrutura de capital. A companhia ressaltou que o processo tem escopo exclusivamente financeiro e não envolve dívidas ou obrigações operacionais. Assim, as relações com clientes, fornecedores e parceiros comerciais seguem preservadas, e as operações continuam normalmente. O plano prevê prazo de até 90 dias para obtenção das adesões necessárias à homologação, conforme previsto na legislação.

O movimento ocorre em meio a um período de pressão sobre a estrutura financeira da companhia, controlada por Cosan e Shell. Na avaliação de especialistas, parte do mercado já vinha antecipando um cenário de reestruturação. Segundo Cristiano Leal, especialista em investimentos e MBA em Finanças pela B7 Business School, os sinais de deterioração financeira já estavam refletidos no comportamento dos ativos da empresa. “O mercado já vinha precificando um cenário de reestruturação há alguns meses. As ações acumulavam uma queda próxima de 70%, negociando abaixo de R$ 1, enquanto os bonds da companhia já eram negociados em níveis de distress”, afirma.

De acordo com ele, fatores como juros elevados, ciclo intenso de investimentos e safras mais fracas pressionaram o fluxo de caixa e contribuíram para o aumento da alavancagem da companhia. Ainda assim, o especialista avalia que não vê um cenário de quebra da empresa, dada a relevância estratégica da operação, embora o investimento nas ações deva ser tratado com cautela neste momento.

O analista CNPI do AGF, Pedro Galdi, vê um cenário de tempestade envolvendo a Raízen. “Estava claro que seria necessária alguma reestruturação financeira. A dificuldade ficou com o volume financeiro necessário de aporte dos controladores, o que levou a busca por um novo modelo envolvendo seus credores e possivelmente até os acionistas minoritários, caso seja utilizada alguma operação de emissão de ações, mais a frente”, disse Pedro.

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Para Fernando Tardioli, sócio-fundador do escritório Tardioli Lima, o principal desafio agora será conquistar a adesão dos credores ao plano. “Os principais desafios são convencer os credores de que a empresa e o conglomerado econômico ao qual pertence continuam viáveis e, a partir disso, obter adesão ao plano proposto. Isso passa, sobretudo, pela negociação das condições da reestruturação, como período de carência, eventual deságio, prazos de pagamento e taxas de juros”, afirma Fernando.

Segundo ele, casos recentes indicam uma mudança de postura no mercado em relação ao uso da recuperação extrajudicial. “Movimentos recentes de tentativa de reestruturação por meio de recuperação extrajudicial, como o caso da Raízen e também o do GPA, indicam uma percepção crescente entre credores e devedores de que a recuperação judicial, da forma como vem sendo conduzida no Brasil nos últimos anos, é muitas vezes cara, lenta e pouco eficiente.”

Para o especialista, em muitos casos a recuperação judicial acaba não entregando a solução de reestruturação esperada nem para empresas em crise nem para os próprios credores, o que tem levado companhias a buscar alternativas mais negociadas com o mercado.

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