‘É uma medida para pegar quem não paga’, diz Haddad sobre IR dos super-ricos
De acordo com ministro, projeto de reformulação do Imposto de Renda visa equiparar a carga tributária do topo aos demais

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu nesta sexta-feira 28 que a proposta de reformulação do Imposto de Renda apresentada pelo governo federal, e que cria um imposto mínimo a ser cobrado dos mais ricos, foi desenhada para “pegar que não paga” e equipara o imposto pago pelo topo da pirâmide, hoje mais baixo, ao dos estratos menores da população.
“É um modelo que efetivamente pega que não paga”, disse Haddad, que participou nesta noite de um evento da Arko Advice e Galapagos Capital em São Paulo. “E em benefício do Tesouro isso? Não. É para o benefício de quem ganha 5.000 reais. Que são o policial militar, a professora de escola pública, a enfermeira de hospital do SUS. Esse perfil de profissional que hoje paga cerca de 10% de imposto de renda. Ou seja, estamos equiparando quem ganha 2 milhões de reais no ano, e que hoje para uma taxa efetiva de 2%, ao restante.”
A refomra proposta cria um imposto mínimo e gradual, de 0% a 10%, a ser aplicado sobre todos que têm renda a partir de 600.000 reais no ano, um grupo que representa 0,6% da população. Quem já paga mais do que o novo mínimo previsto, não sofrerá aumentos. A proposta também cria a taxação em 10% dos dividendos que forem pagos em valores superiores a 50.000 reais, e especialistas têm alertado para o risco de que isso acabe aumentando a carga tributária das empresas, que já têm uma carga alta de imposto de renda sobre os lucros.
O projeto chegou há duas semanas ao Congresso e depende agora de debate a aprovação dos parlamentares. “É óbvio que a palavra final será do Parlamento, mas eu tenho certeza de que é um projeto ótimo para a sociedade”, acrescentou o ministro.