Rombo das contas externas brasileiras cresce 112.000% em novembro
Por outro lado, investimentos estrangeiros diretos no país ainda crescem e cobrem o déficit do Brasil nas transações com o resto do mundo

As transações correntes, conta que calcula todas as transações do Brasil com o resto do mundo, registrou um déficit de 3,06 bilhões de dólares em novembro, de acordo com os dados divulgados nesta segunda-feira, 23, pelo Banco Central. O valor representa um aumento de 112.460% na comparação com novembro do ano passado, quando as contas externas ficaram no vermelho em 3 milhões de dólares.
Por outro lado, os investimentos estrangeiros diretos feitos no país, que consideram os aportes feitos em projetos produtivos, também estão crescendo e ainda cobrem as perdas com folga. Eles somaram 6,9 bilhões de reais em novembro, 4% mais que no ano passado e mais que o dobro do déficit das transações correntes.
No acumulado entre janeiro e novembro, o déficit das contas externas saiu de 18,9 bilhões de dólares no ano passado – o equivalente a 0,9% do produto interno bruto, para 46,8 bilhões de dólares neste ano, OU 2,3% do PIB. É um aumento de 147%. Na mesma base de comparação, os investimentos estrangeiros diretos crescem 6% e somam 68,3 bilhões de dólares, o equivalente a 3,4% do PIB.
A piora no saldo entre tudo o que o Brasil envia e tudo o que recebe em capital do exterior reflete uma piora da balança comercial, com o avanço forte das importações, e também da balança de serviços, que contabiliza a entrada e saída de dinheiro em atividades como turismo e propriedade intelectual. No acumulado do ano, as exportações não cresceram, e somaram 314 bilhões de dólares – mesmo valor um ano antes. Já as importações cresceram 9%, para 252,8 bilhões de dólares. Como resultado, o saldo comercial está 26% menor, tendo caído de 83 bilhões para 62 bilhões de dólares nos acumulados entre janeiro e novembro do ano passado e deste.
Já a balança de serviços ficou deficitárias em 45 bilhões de dólares no mesmo período em 2024, rombo 24% maior que no ano passado.