Saiba por que o preço do ouro e do petróleo despencam
Tensão Irã e EUA, e mudanças no Fed influenciam commodities
A volatilidade voltou a dar o tom no mercado de commodities, misturando tensão geopolítica com incertezas monetárias. Para Bruna Alemann, chefe de investimentos da Nomos, o petróleo continua no centro desse tabuleiro. “O Irã é um risco porque tem grande parte da produção e está numa região por onde sai muito petróleo”, afirma. Ainda assim, o preço não reagiu como o esperado diante dos conflitos.
O motivo, segundo Bruna, está longe da política e mais perto dos números. “Deveria subir, mas os estoques estão em alta, então isso acaba descendo um pouquinho”, explica. Com oferta confortável e demanda ainda relativamente fraca, o petróleo perde tração, mesmo em um cenário global mais instável. É o mercado mostrando que manchete assusta, mas fundamento pesa.
Petróleo e poder
Além disso, o petróleo segue profundamente ligado às disputas de poder. “Ele está diretamente ligado às questões comerciais dos Estados Unidos, relacionadas à Venezuela e agora ao Irã”, diz a executiva. Quem controla a energia controla parte relevante da economia — e isso mantém o preço sensível a qualquer mudança no discurso ou na estratégia das grandes potências.
A queda do ouro
Já no campo dos metais preciosos, o investidor teve uma surpresa recente. Apesar da fama de porto seguro, o ouro registrou uma queda brusca de cotação, aumentando a percepção de risco também nesse tipo de ativo. Bruna lembra que, em momentos de conflito ou incerteza econômica, o movimento natural é buscar proteção. “Nós vamos para commodities como os metais preciosos”, afirma. Mas nem sempre o abrigo é estável.
Mudanças no Fed
Além da geopolítica, o ouro também sentiu o peso da política monetária. O anúncio do possível novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, trouxe mais volatilidade aos preços, ao reacender discussões sobre juros e condução da política econômica nos Estados Unidos. “Esse ano ainda tende a ter alguma alta, mas não deve ser consistente”, alerta Bruna Alemann. Por isso, a recomendação segue sendo equilíbrio: entre 10% e 15% da carteira em metais preciosos — proteção, sim, mas com a consciência de que até o porto seguro pode balançar.






