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Sem confiança no BC, o juro demora mais a cair

Em entrevista ao programa Mercado economista alerta que pressão política é 'tiro no pé'

Por Veruska Costa Donato 26 jan 2026, 12h19 • Atualizado em 26 jan 2026, 12h28
  • Pressionar o Banco Central por redução de juros pode até render aplauso político no curto prazo, mas costuma sair caro para a economia. No programa Mercado, o economista Bruno Lavieri (4Intelligence) foi direto: atacar o Banco Central enfraquece as instituições e acaba funcionando como um “tiro no próprio pé”. E não é um problema só brasileiro — ele lembra que esse tipo de pressão também aparece nos Estados Unidos, inclusive no discurso de lideranças políticas.

    O ponto central está no regime de metas de inflação, adotado pelas principais economias do mundo. No Brasil, o Banco Central do Brasil tem a missão de conduzir os juros para manter a inflação dentro da meta de 3%, com banda de tolerância. Já nos EUA, o Federal Reserve trabalha com alvo de 2%. A lógica é simples: quando o Banco Central tem liberdade e credibilidade, o esforço para controlar a inflação é menor. E isso, no médio e longo prazo, ajuda justamente a derrubar os juros.

    O problema começa quando presidentes e governos tentam puxar o freio de mão da política monetária no grito. Ao minar a confiança no Banco Central, o efeito é o oposto do desejado: a autoridade monetária precisa ser ainda mais dura para mostrar compromisso com a meta. Traduzindo o economês: menos discurso político e mais respeito institucional significam inflação mais previsível, juros estruturalmente menores e uma economia que funciona melhor para todo mundo — do consumidor ao investidor.

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