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Tarifaço de Trump: Brasil já mostrou que sabe lidar com o americano

Postura do Itamaraty no caso dos deportados brasileiros é um exemplo do que deve ser feito, segundo Leonardo Trevisan, professor da ESPM

Por Márcio Juliboni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 4 mar 2025, 11h29

A guerra tarifária deflagrada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra seus principais parceiros comerciais mudou de patamar nesta terça-feira 4, com o início da cobrança de uma sobretaxa de 25% sobre todas as importações do Canadá e do México, e de 20% sobre as mercadorias da China. Inicialmente, a alíquota seria de 10%, mas Trump a dobrou, alegando que os chineses não fizeram nada para equilibrar a balança comercial com os americanos desde o anúncio das tarifas no início de fevereiro.

Enquanto a temperatura esquenta no Hemisfério Norte, diante da decisão do Canadá e da China de retaliar as importações de bens dos Estados Unidos, o Brasil aguarda sua vez. Isto, porque a primeira medida que atingirá as exportações brasileiras para os americanos entrará na próxima quarta-feira, 12 de março. Trata-se da sobretaxa de 25% determinada pela Casa Branca para a importação de produtos siderúrgicos de todos os países.

A medida mira a China, acusada por Trump de inundar o mercado americano com aço barato por meio de uma triangulação com outros países – inclusive o Brasil -, que receberiam os produtos semiacabados chineses e, após tratamentos como laminação e acabamento, os despachariam para os Estados Unidos a preços baixos. Embora o alvo sejam os chineses, o Brasil será duramente afetado pela tarifa, pois é o segundo maior fornecedor de aço para os americanos, atrás apenas do Canadá.

Para Leonardo Trevisan, professor de relações internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), a vantagem de a tarifa de 25% sobre o aço entrar em vigor em meados de março é compreender como pensa e age o presidente americano e, assim, encontrar o melhor caminho para lidar com a questão. A boa notícia é que, ao que parece, o Itamaraty demonstrou que sabe a resposta, ao agir com eficiência no caso dos deportados brasileiros. “O Brasil não pode ser um ratinho que ruge”, diz Trevisan. “É preciso deixar a fúria de Trump passar e negociar.” Veja os principais trechos da entrevista concedida a VEJA:

O Brasil tem condições concretas de negociar com os Estados Unidos no caso da sobretaxa ao aço? Já tivemos o mesmo problema em 2018. Trump estava em seu primeiro mandato e impôs exatamente a mesma tarifa de 25% sobre o aço. Então, de alguma forma, nós adquirimos uma certa experiência de negociação. O Itamaraty está sendo muito hábil para proteger os interesses brasileiros, sem piorar as coisas. Não adianta ter uma atitude de força numa situação como essa. Os Estados Unidos têm muito poder de barganha, porque 48% da nossa produção de aço vai para lá. Mas isso representa apenas 16% do total importado pelos americanos, que têm outros fornecedores de produtos siderúrgicos.

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Qual é o melhor caminho, então? O Brasil tem duas opções. Uma é seguir o método mexicano. Você espera a fúria de Trump passar e então negocia. Não é uma fúria muito consciente ou racional e tem fortes componentes de política interna americana. É possível que o Brasil faça isso, porque está mais ou menos claro, inclusive por manifestações, tanto de economistas como de sindicalistas americanos, de que a sobretaxa ao aço vai encarecer os muito os produtos que dependem disso. E não vai, de nenhuma forma, resolver o problema das siderúrgicas americanas.

Qual é a outra opção? É seguir o método colombiano-canadense, que é confrontar os Estados Unidos e alimentar a fúria de Trump. Mas o Brasil não pode ser um ratinho que ruge. Imagine, impor barreiras contra a maior economia do mundo, com um PIB de 28 trilhões de dólares. Se você descontar a China, cujo PIB é de 19 trilhões, a soma das oito economias seguintes não dá o PIB americano. O Brasil tem um PIB de 1,4 trilhão. Não sabemos o que Trump fará, de fato. Então, o melhor é aguardarmos. Em 2018, a sobretaxa ao aço encareceu os produtos nos Estados Unidos, pressionando empresas e consumidores. Isso abriu espaço para trocá-las pelo sistema de cotas de importação.

Há sinais de que o Brasil saberá lidar com a situação? O Brasil teve um comportamento no episódio dos deportados que eu acho que é um exemplo de como vamos nos comportar. O Brasil foi cauteloso, chamou os representantes dos Estados Unidos, pediu para criar um grupo de trabalho e pediu para respeitar os acordos. O avião seguinte dos deportados, quando tocou em terra brasileira, respeitou a lei brasileira e tirou-se as algemas. Essa negociação deve ser levada em conta. O Itamaraty conhece o caminho das pedras.

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