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A ruidosa onda dos olhos artificialmente puxados

A maquiagem chamada de foxy eyes (olhos de raposa), que alonga com traços fortes, faz sucesso mas vira alvo de crítica nas redes sociais

Por Mariana Rosário Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 jul 2020, 06h00 | Atualizado em 5 jun 2026, 11h45
A ruidosa onda dos olhos artificialmente puxados Priorizar nos meus resultados Google

Mesmo em tempo de rostos cobertos por máscaras, a maquiagem (fora o batom, claro) não perde espaço entre as mulheres. E, por razões evidentes, as mais criativas são as que destacam os olhos. Nenhuma tem feito mais sucesso nas redes sociais do que a chamada de foxy eyes, ou olhos de raposa. Trata-­se de alongar a expressão com a combinação elaborada de traços desenhados com sombra, delineador e cílios postiços (veja o quadro).

O modismo é uma versão repaginada do antigo efeito “gatinho”, marca registrada da atriz francesa Brigitte Bardot na década de 60. Há pouco tempo, a americana Bella Hadid, eleita “modelo do ano” pela premiação Model of the Year Awards, ressurgiu com traços semelhantes, mas bem mais carregados e sensuais, e o estilo renasceu ruidosamente. Mas, como nada hoje é apenas prazeroso, veio junto uma acalorada discussão.

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(./.)

Nas últimas semanas, o efeito passou a ser alvo de críticas de grupos de mulheres orientais, que denunciaram uma suposta “apropriação cultural”. Ou seja: o foxy eyes estaria utilizando traços raciais, como os olhos puxados, para angariar likes em fotos. Polêmicas dessa ordem são comuns. Denúncias semelhantes foram direcionadas recentemente a mulheres brancas que usavam turbante ou tranças enraizadas, que remetem à cultura africana.

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E, no entanto, nunca é tarde para lembrar, a aplicação de delineadores para alongar os olhos nasceu como uma prática absolutamente funcional nos tempos de Cleópatra, rainha do Egito, compartilhada por ambos os sexos, como modo de proteção dos raios solares. Diz o professor de história da moda na Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), João Braga: “Divulgar belezas diferentes, independentemente da raça, não deve ser discriminado, mas celebrado”. Viva a diversidade.

Publicado em VEJA de 8 de julho de 2020, edição nº 2694

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